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Voto cruzado entre Lula e Tarcísio ocorre em 12% dos locais de votação em São Paulo

Em São Paulo, 12% dos locais de votação registraram a vitória de Lula para presidente e Tarcísio para governador no primeiro turno.

16/10/2026 às 14h03

Um fenômeno eleitoral chamou atenção no primeiro turno das eleições em São Paulo: em 12% dos locais de votação do estado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o mais votado para presidente, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) venceu para governador. Essa combinação adversária ficou conhecida como ‘Tarula’, conforme levantamento realizado pelo Estadão.

O resultado surpreende porque contraria as alianças partidárias e apoios públicos feitos durante a campanha. Tarcísio apoiou o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e Lula apoiou o ex-ministro Fernando Haddad (PT) para o governo paulista, que acabou derrotado por Tarcísio.

Distribuição do voto ‘Tarula’ e apoio local

A incidência mais alta desse voto cruzado foi observada no município de Rio Grande da Serra, região metropolitana de São Paulo, onde Lula e Tarcísio foram os mais votados em 76,47% dos 17 locais de votação existentes. O prefeito da cidade, Akira Auriani, do PSB, declarou publicamente apoio à reeleição de Tarcísio, apesar de não se posicionar em relação à disputa presidencial, e também expressou apoio ao governo Lula, em função da relação com o vice-presidente Geraldo Alckmin, seu partido correligionário.

Leia também: Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro segue acirrada na reta final das eleições de 2026

Na capital paulista, o fenômeno também esteve presente. Em 481 dos 2.058 locais de votação, correspondendo a 23%, Lula venceu para presidente e Tarcísio para governador, percentual superior à média estadual.

Interpretação do voto cruzado

Para o cientista político Jairo Pimentel, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o voto cruzado representa uma escolha pragmática por parte do eleitorado, baseada nas ações e resultados obtidos pelos governos dos dois candidatos incumbentes. Ele observa que esses eleitores não se atentam às recomendações políticas nem a alianças partidárias, preferindo avaliar o desempenho dos candidatos.

Reação política e estratégias para o segundo turno

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), alinhado à campanha de Flávio Bolsonaro, coordenou uma reunião com prefeitos da Grande São Paulo para analisar os dados do primeiro turno e delinear estratégias para a próxima fase da eleição presidencial. Áreas como Carapicuíba e Itaquaquecetuba, que apresentaram elevada incidência do voto ‘Tarula’ (61,67% e 65,33%, respectivamente), foram foco do encontro.

Eduardo Boigues, prefeito de Itaquaquecetuba pelo PL, destacou que a campanha orientou prefeitos a atuarem em duas frentes: fortalecer a votação nas cidades onde Flávio Bolsonaro venceu e tentar reverter os resultados nos locais onde Lula foi mais votado para presidente, mas Tarcísio ganhou para governador. Boigues afirmou que pretende usar sua popularidade para ajudar o senador a ampliar sua votação em sua cidade.

O cientista político Jairo Pimentel ressaltou que a margem para mudanças significativas entre eleitores do primeiro turno é pequena, entre 1% e 2%. A conversão dos votos passa principalmente pelo aumento da rejeição ao adversário, o que torna as campanhas negativas uma ferramenta importante.

Compromisso dos candidatos e apoio político

Para melhorar o desempenho do senador Flávio Bolsonaro em São Paulo, a campanha espera ampliar o engajamento do governador Tarcísio de Freitas, que foi reeleito com votação recorde no estado. Tarcísio tem apoiado ativamente o presidenciável do PL e participou de múltiplos eventos de campanha, inclusive em outros estados.

Especificações sobre o levantamento

O estudo considerou como locais de votação ‘Tarula’ aqueles em que os candidatos mais votados foram, respectivamente, Tarcísio para governador e Lula para presidente. A diferença observada entre os votos válidos para os cargos estadual e federal se deve ao voto em trânsito, que permite aos eleitores residentes fora do domicílio eleitoral votar só para presidente, mas não para governador.

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