Taxas dos DIs elevam após dados de inflação nos EUA e expectativa por pesquisa eleitoral no Brasil
Após divulgação do índice de preços ao consumidor nos EUA, taxas dos DIs sobem enquanto mercado brasileiro aguarda nova pesquisa presidencial.
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram esta quarta-feira com alta, movimentadas pela divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos e pela expectativa dos investidores em relação à pesquisa eleitoral brasileira programada para o início da noite. A oscilação das taxas refletiu a volatilidade dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) ao longo do dia.
No Brasil, o índice do DI para janeiro de 2028 registrou alta de 3 pontos-base, alcançando 12,725%, em comparação com o fechamento anterior em 12,699%. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 subiu 8 pontos-base, indo para 12,66% ante 12,579% do dia anterior.
Impacto dos dados de inflação dos EUA
Pela manhã, o governo dos Estados Unidos informou que o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,6% em setembro, conforme a estimativa de economistas consultados pela Reuters. A divulgação provocou um aumento imediato dos rendimentos dos Treasuries de curto e longo prazo, refletindo a maior probabilidade de uma nova elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
Esse movimento levou as taxas dos DIs brasileiros a atingirem máximas e contribuiu para a valorização do dólar em relação ao real. Por volta das 9h36, logo após a liberação dos números do CPI, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu 12,710%, com alta de 13 pontos-base.
Segundo o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research, apesar de o CPI ter vindo em linha com as previsões, “há uma certa ansiedade para os próximos passos do Fed”, o que eleva a aversão ao risco devido à possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos.
Influência da pesquisa eleitoral brasileira
Durante a tarde, o rendimento dos Treasuries de longo prazo perdeu parte da força inicial, migrando para território negativo, o que levou as taxas dos DIs a se aproximarem da estabilidade. Contudo, no fechamento, voltaram a operar em alta.
No cenário nacional, os investidores mantiveram atenção na divulgação da nova pesquisa Quaest, que será divulgada no início da noite e traz novidades para a disputa presidencial. Pesquisa anterior divulgada na terça-feira indicou empate técnico no segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além do aspecto político, o mercado avalia que a eventual eleição de Flávio Bolsonaro, atualmente o nome preferido do mercado, poderia favorecer o controle das contas públicas, ideia que sustenta expectativas por uma redução dos juros. Contudo, o candidato e sua equipe econômica ainda não apresentaram propostas concretas de ajuste fiscal.
Dados econômicos domésticos
Na parte da manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o setor de serviços teve queda de 0,1% em agosto em comparação com julho, índice inferior à previsão de alta de 0,4% projetada por economistas. Na comparação anual, o crescimento registrado foi de 0,6%, abaixo da estimativa de 1,1%.
Para Spiess, a pesquisa de serviços mostrou uma desaceleração econômica, porém este dado teve um impacto secundário devido ao foco no cenário eleitoral.