JPMorgan indica potencial de valorização em ações do varejo e saúde após eleições
Banco destaca que setores possuem espaço para crescimento apesar do recente rali após o primeiro turno da eleição presidencial.
O JPMorgan divulgou um relatório avaliando que as ações dos setores de varejo e saúde ainda têm espaço para valorização, mesmo após o rali ocorrido a partir do resultado do primeiro turno da eleição presidencial. O banco destaca a importância de priorizar empresas com fundamentos sólidos, previsibilidade de resultados e potencial de crescimento no longo prazo.
Desde 2 de outubro de 2026, as ações do setor varejista acompanhadas pelo JPMorgan apresentaram alta de 16% em valor de mercado, enquanto o segmento de saúde evoluiu 12%. Em termos médios, as ações subiram 20% no varejo e 14% na saúde, superando o avanço de 8% do Ibovespa no mesmo período, mesmo considerando um recente recuo em relação às máximas.
O banco projeta que a reprecificação das ações continuará, impulsionada pela possibilidade de maior disciplina fiscal e juros mais baixos. No entanto, alerta que o consumo deve permanecer pressionado durante o segundo semestre de 2026 e em 2027.
Leia também: Citi mantém avaliação neutra para Hapvida e revisa estimativas após valorização das ações
Principais recomendações do JPMorgan
Entre as preferidas, o JPMorgan destaca as ações da RD Saúde (RADL3), Rede D’Or (RDOR3) e Smart Fit (SMFT3), todas recomendadas para compra. A RD Saúde tem como ponto forte a liderança no varejo farmacêutico, além de oportunidades estruturais para crescimento. A Rede D’Or, atuante no setor hospitalar, apresenta escala e avaliação atrativa. Já a Smart Fit mantém potencial de expansão regional e possibilidades de incremento nos lucros, ainda que enfrente concorrência.
No segmento de vestuário, a C&A Brasil (CEAB3) é apontada como a principal tese de reprecificação e com alta sensibilidade ao cenário macroeconômico. A Lojas Renner (LREN3) surge como opção alternativa, oferecendo maior liquidez.
Influência do cenário macroeconômico
O JPMorgan avalia que o varejo tende a superar o setor de saúde em um contexto macroeconômico favorável, devido à maior sensibilidade do segmento a juros mais baixos e à melhora das expectativas de consumo, bem como pela redução do prêmio de risco do país.
Assim, as ações da Assaí (ASAI3) e Magazine Luiza (MGLU3) podem se beneficiar da eventual queda dos juros, embora a valorização recente tenha reduzido a atratividade, especialmente para a Magazine Luiza, cuja alta o banco classifica como excessiva.
No setor de saúde, a Hapvida (HAPV3) apresenta significativa sensibilidade ao juro, enquanto a Bradsaúde (SAUD3) pode ter resultados afetados negativamente devido a sua posição como ativo financeiro líquido.
Avaliações e perspectivas
Apesar do recente aumento, o varejo negocia a aproximadamente nove vezes o lucro projetado, cerca de 40% abaixo da média dos últimos cinco anos, enquanto o setor de saúde opera próximo a dez vezes o lucro, com desconto de aproximadamente 33% em relação à média histórica.
Os modelos do JPMorgan indicam potencial para expansão adicional de duas a três vezes no múltiplo preço/lucro do varejo diante da normalização do custo de capital, ainda que as avaliações permaneçam abaixo da média histórica. O banco ressalta, contudo, que a recuperação integral dos múltiplos é improvável, exigindo das empresas demonstrações de maior previsibilidade e fundamentos consistentes, além da capacidade de atrair investimentos institucionais.
Empresas com teses mais desafiadoras
Empresas com desafios específicos, como Natura (NATU3) e Vivara (VIVA3), podem continuar perdendo espaço para companhias com fundamentos mais sólidos e duradouros, segundo o JPMorgan. A Azzas 2154 (AZZA3) depende mais de eventos isolados, como a venda da Farm Rio, do que de melhora macroeconômica generalizada.
O Grupo Mateus (GMAT3) pode se beneficiar do aumento do consumo e do Bolsa Família, embora tenha baixa alavancagem financeira e não apresente catalisadores claros no curto prazo. Já a Hypera (HYPE3) demonstra sensibilidade relevante à variação de juros, considerando sua alavancagem líquida e oportunidades relacionadas a medicamentos para obesidade e diabetes.
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