Investigação busca hackers que invadiram sistemas de refrigeração em supermercados na França
Ataque cibernético alterou temperaturas de geladeiras em mais de 350 supermercados franceses, causando perdas significativas de alimentos.
Autoridades francesas estão investigando um ataque cibernético que assumiu o controle dos sistemas de refrigeração de pelo menos 350 supermercados no país. O incidente, que chamou atenção para a fragilidade dos sistemas conectados, resultou em perdas significativas de alimentos devido ao aumento das temperaturas das geladeiras.
Funcionários de estabelecimentos em Paris foram vistos descartando grandes quantidades de carnes e congelados estragados em contêineres. Entre as redes afetadas estão Carrefour, Monoprix, Intermarché e Coopérative U. Apesar da abrangência, essa quantidade representa uma pequena parte do total de supermercados franceses.
A investigação ocorre ao mesmo tempo em que a rede holandesa Ahold Delhaize enfrenta outro problema de segurança digital, mas as autoridades não identificaram ligação entre os dois casos. Até o momento, nenhum grupo reivindicou o ataque, o que é incomum, pois invasores geralmente buscam ganhos financeiros ou políticos.
Falhas em sistemas e falta de atualizações facilitam ataque
A agência francesa de segurança eletrônica declarou que a violação afetou sistemas que usam softwares das empresas Danfoss (Dinamarca), Copeland e Dixell. A Danfoss informou que muitos dos sistemas invadidos estavam obsoletos, com firmware desatualizado e sem suporte para atualizações de segurança.
Especialistas em segurança digital consultados afirmaram que as vulnerabilidades eram conhecidas e poderiam ter sido evitadas, caracterizando uma falha básica de “higiene cibernética”. Especificamente, versões antigas do controlador Danfoss AK-SM 800A tinham brechas que permitiam invasões sem autenticação adequada. Essas falhas já haviam sido corrigidas em atualizações anteriores.
Observações indicam que as interfaces dos dispositivos permaneciam expostas à internet, tornando possível a invasão. Ferramentas como o serviço de varredura Shodan mostraram que milhares de interfaces Danfoss permanecem acessíveis publicamente, muitas delas rodando softwares desatualizados.
Indícios descartam ataque sofisticado
Especialistas destacam que o ataque parece ter sido executado com facilidade, sem sofisticação típica de ataques de estados-nação. A ausência de pedido de resgate e de reivindicação sugere desconhecimento do impacto financeiro e operacional para os supermercados.
Ken Munro, sócio da empresa britânica Pen Test Partners, afirmou que o ataque foi como “empurrar uma porta aberta”, sugerindo que invasores poderiam ser amadores ou pessoas com conhecimentos básicos.
O incidente trouxe à tona a importância da atualização e manutenção de softwares em equipamentos industriais conectados à internet, para evitar falhas de segurança que possam causar prejuízos econômicos e riscos à cadeia de abastecimento.