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Impasse entre países adia atualização científica do IPCC antes de negociações climáticas cruciais

Reunião do IPCC é suspensa sem definição de cronograma para novo relatório sobre mudanças climáticas, ameaçando negociações climáticas de 2028.

16/10/2026 às 19h53

Uma reunião importante dos 195 países membros do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi suspensa sem que se chegasse a um consenso sobre o calendário para publicar a próxima revisão das descobertas científicas mais recentes sobre o aquecimento global, informou o próprio IPCC em comunicado divulgado nesta sexta-feira.

O impasse no cronograma, que já dura quase três anos, ameaça levar os países a enfrentarem a próxima fase das decisões climáticas sem acordo sobre pontos cruciais, como o grau de reversibilidade de parte do aquecimento global. A reunião, ocorrida esta semana em Adis Abeba, capital da Etiópia, ultrapassou o tempo previsto e precisou ser suspensa, já que muitas delegações de nações menos desenvolvidas e pequenos Estados insulares tiveram de deixar o evento.

Relevância do cronograma para as negociações climáticas

Definir as datas para a publicação do próximo relatório científico do IPCC era o ponto central da reunião, uma vez que esse documento servirá como base para os governos avaliarem o progresso em direção às metas do Acordo de Paris de 2015 durante as negociações climáticas da ONU agendadas para novembro de 2028, no chamado “Balanço Global”.

Até o momento, as discussões sobre o cronograma da revisão e o orçamento do IPCC permanecem sem resolução, e as deliberações serão retomadas assim que possível, segundo o órgão, que não forneceu mais detalhes.

Divisões entre países membros atrasam decisões

Uma coalizão de 30 países, que inclui nações europeias, latino-americanas e pequenos Estados insulares, manifestou preocupação com a possibilidade de os relatórios do IPCC não estarem prontos a tempo para as negociações climáticas de 2028, reforçando a pressão por ações imediatas.

Em contrapartida, países como Índia, Quênia, Arábia Saudita, Rússia e China solicitam mais tempo para a preparação dos relatórios, destacando a necessidade de assegurar que cientistas de países com menos recursos possam contribuir de forma significativa.

Tina Stege, enviada climática das Ilhas Marshall, criticou duramente a situação: “Estávamos aqui para trabalhar, mas vimos todas as propostas serem rejeitadas — sobre inclusão, sobre a relevância da ciência para nosso planejamento nacional, sobre a necessidade de evidências para orientar o próximo Balanço Global. O progresso foi bloqueado até o fim — uma manobra vergonhosa para ganhar tempo quando não há tempo a perder.”

Peso dos relatórios do IPCC no cenário global

Os relatórios do IPCC são elaborados por centenas de especialistas internacionais e aprovados por todos os Estados-membros, tornando-se referência essencial para o planejamento governamental das respostas às mudanças climáticas. Além disso, são frequentemente citados em decisões judiciais internacionais.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente tem reiterado a insuficiência dos esforços globais atuais para conter o aquecimento, destacando que reduções mais profundas nas emissões são cruciais para evitar desastres ligados ao clima.

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