Fundos multimercados registram até 17% de alta após primeiro turno das eleições e se preparam para a reta final
Após o primeiro turno das eleições, fundos multimercados recuperam perdas e adotam estratégias para enfrentar a incerteza da reta final.
Os fundos multimercados apresentaram significativa recuperação após o primeiro turno da eleição presidencial, com alguns atingindo ganhos próximos de 17% em outubro até o dia 9. O índice IHFA da Anbima, que mede a performance da indústria de fundos multimercados, subiu 2,1% no primeiro pregão depois da votação, a maior alta em mais de seis anos.
Conforme análise de Guilherme Zaczac, chefe da área de alternativas líquidas no Brasil do UBS Global Wealth Management, há diversidade de estratégias entre os gestores, refletindo diferentes níveis de apetite ao risco. Alguns fundos adotaram postura cautelosa devido aos impactos do conflito no Irã em março, enquanto outros mantiveram operações mais agressivas, o que explica a variabilidade nos ganhos entre as gestoras.
Destaques e estratégias dos fundos
O fundo Ace Capital W Master, da Ace Capital, destacou-se com alta acumulada de 16,95% no mês, apresentando volatilidade superior a 16%. A estratégia foi baseada na análise do cenário político, priorizando operações no mercado de opções vinculadas ao desempenho dos candidatos no primeiro turno.
Ricardo Denadai, CEO da Ace Capital, afirmou que a gestora adotou uma estratégia ousada ao apostar na possibilidade de Flávio Bolsonaro superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. Para reduzir os custos elevados das opções para o segundo turno, optaram por opções de curto prazo que venciam logo após o primeiro turno.
Fabricio Taschetto, diretor de investimentos da Ace Capital, explicou que grande parte dos ganhos veio de opções do ETF EWZ, com alta liquidez e composição semelhante ao Ibovespa, além do mercado futuro de juros no Brasil. A carteira teve uma relação risco-retorno favorável, com ganhos dez vezes maiores que o risco de perda.
Após o primeiro turno, a gestora reduziu posições e ajustou a exposição ao risco, mas manteve uma posição estável apostando na vitória de Flávio Bolsonaro. A expectativa é de que os ativos ainda ofereçam oportunidades de ganhos nos próximos meses, apesar do potencial de retorno já ser menor diante do cenário atual.
Perspectivas para o segundo turno
Segundo Zaczac, o cenário atual é positivo para multimercados, mesmo com a dificuldade de prever o resultado da eleição. O mercado de juros local está atrativo, oferecendo oportunidades para posicionamento em notas prefixadas e títulos indexados à inflação em estratégias que consideram os momentos antes e depois da votação.
Na visão do especialista do UBS, a Bolsa brasileira, apesar do Ibovespa superar 200 mil pontos, não está cara. A redução da taxa de juros e a melhora do ambiente de negócios podem proporcionar ganhos, seja por valorização das ações ou por estratégias long-short.
O UBS destaca ainda oportunidades fora do Brasil, como os juros elevados nos Estados Unidos e investimentos ligados à inteligência artificial. Zaczac observa que, apesar dos riscos, os multimercados são capazes de montar posições que se beneficiem simultaneamente da alta dos juros, do dólar e da queda das ações, especialmente em um cenário de vitória de Lula.
Além disso, o perfil pró-mercado do Congresso e dos governadores eleitos no primeiro turno sugere uma mudança de ciclo no país que pode favorecer investimentos em renda variável, culminando com a revisão do UBS da recomendação para ações brasileiras de neutra para atrativa.
Os fundos multimercados seguem atentos para eventuais desvios no ambiente político e econômico até a votação do dia 25, ajustando suas carteiras para capturar assimetrias e proteger investimentos.