Fitch prevê aperto fiscal no Brasil em 2027 independentemente do resultado eleitoral
Agência destaca necessidade de controle das contas públicas apesar da disputa presidencial; crescimento econômico deve desacelerar.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings divulgou nesta quarta-feira (21) suas expectativas para a economia brasileira no próximo ano, prevendo um aperto da política fiscal, independente do resultado das eleições presidenciais marcadas para este mês. Segundo o relatório da agência, a rigidez nas contas públicas deverá prevalecer, dada a situação atual do déficit orçamentário e o alto nível da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
A disputa presidencial deste ano contará com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, agendado para o próximo domingo.
Perspectivas para a economia e política monetária
De acordo com a Fitch, o Brasil deverá registrar desaceleração econômica, com crescimento estimado em 1,9% para este ano e 1,4% em 2027. A agência atribui esse cenário ao aperto fiscal esperado, que somado à taxa de juros ainda elevada, vai impactar a atividade econômica.
A taxa Selic, atualmente em 13,75%, é projetada pela Fitch para encerrar o próximo ano em 11,75%, refletindo uma redução gradual, porém limitada. A agência destaca que uma queda mais rápida nos juros dependeria de um ajuste fiscal significativo, o que, segundo ela, não parece iminente.
Impactos sobre consumo, investimentos e crédito
O relatório ressalta que o Banco Central deve manter juros reais elevados devido às expectativas persistentes de inflação, especialmente no setor de serviços. Esse cenário deverá preservar a elevada parcela da renda comprometida com o serviço da dívida por parte do setor privado, restringindo o consumo das famílias, os investimentos das empresas e o crescimento do crédito, mesmo diante da queda dos juros nominais.
Dívida pública e déficit orçamentário
A Fitch vem justificando o aperto fiscal esperado em função do déficit orçamentário brasileiro, atualmente superior a 8% do PIB, e da relação dívida/PIB acima de 80%, níveis considerados preocupantes para a saúde das contas públicas.