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Eleitores classificam debate presidencial como decepcionante e com baixo nível

Grupo de eleitores acompanha debate entre Lula e Flávio Bolsonaro e destaca falta de propostas e o tom agressivo do confronto.

19/10/2026 às 09h13

O primeiro debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18) e promovido por múltiplos veículos, foi avaliado de forma negativa por um grupo de 12 eleitores que participaram de uma pesquisa qualitativa conduzida pelo cientista político Renato Dorgan, CEO do instituto Travessia.

Os participantes, divididos igualmente entre eleitores de Lula, de Flávio Bolsonaro e indecisos, acompanharam o encontro em São Paulo e comentaram em tempo real, usando cartões coloridos para sinalizar aprovação, neutralidade ou reprovação às intervenções dos candidatos. Ao final, a impressão geral foi de que o debate careceu de discussões qualificadas e que predominou um baixo nível nas intervenções.

Ambiente tenso e falta de propostas

O primeiro bloco do debate foi o que mais desagradou os eleitores, marcado por bate-bocas e enfrentamentos carregados de emoção. Participantes descreveram o episódio como “decepcionante”, “triste”, “vergonhoso” e até “uma piada”. Lula foi considerado repetitivo e demagógico por parte da audiência, enquanto Flávio Bolsonaro soou agressivo e por vezes vazio, especialmente pela ausência de respostas diretas a questionamentos importantes.

Leia também: Globo anuncia debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro para 23 de outubro

Uma das principais críticas direcionadas a Flávio foi a falta de explicações, por exemplo, sobre sua defesa de um policial acusado de matar uma criança ou sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade para servidoras públicas. Já a avaliação negativa a Lula se deu principalmente quando ele elogiou seu próprio governo, pois alguns eleitores questionaram o otimismo diante dos quase 20 anos de gestão do PT, sem melhorias percebidas para todos.

Impactos sobre indecisos e apoiadores

Embora o debate não tenha sido conclusivo para a maioria dos indecisos, Lula conseguiu converter uma eleitora inicialmente sem decisão, que destacou sua atuação em medidas recentes, como o fim da escala 6×1 e o reajuste do Bolsa Família. Outros indecisos ainda consideram anular o voto, enquanto alguns mantêm tendência para Flávio Bolsonaro, mesmo questionando sua capacidade e confiança.

No grupo dos apoiadores, os que já escolhiam Lula mantiveram o voto, ao passo que um eleitor que apoiava Flávio se manteve indeciso após o debate.

Destaques das propostas

Flávio Bolsonaro teve seus melhores momentos ao abordar o aumento do custo de vida e detalhar propostas de segurança pública, como o fim das saidinhas temporárias de presos e a castração química de abusadores, medidas bem recebidas pelas diferentes vertentes do grupo. Lula destacou-se nos temas de políticas sociais, falando com convicção, mas recebeu críticas quando defendeu as saidinhas temporárias.

Quanto aos cartões de avaliação, Lula obteve 44,79% verdes e 35,42% vermelhos, enquanto Flávio teve 39,06% verdes e 46,88% vermelhos, mostrando maior rejeição proporcional.

Críticas específicas e temas abordados

Entre os próprios apoiadores, o plano econômico de Flávio Bolsonaro foi considerado pouco claro, e ele foi visto como vago em áreas além da segurança pública. A participação de Lula recebeu críticas por se rebaixar a confrontos pessoais e dedicar pouco tempo a apresentar propostas efetivas.

Embora Lula e Flávio tenham trocado acusações sobre corrupção envolvendo casos como o Banco Master e fraudes no INSS, este tema não gerou reação significativa entre os eleitores que participaram da pesquisa.

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