Anthropic aponta atenção humana como principal limite no avanço da inteligência artificial
Estudo da Anthropic revela que a supervisão humana é o maior gargalo no uso da IA, mudando a rotina dos funcionários e a dinâmica de trabalho.
A Anthropic, empresa focada em inteligência artificial, divulgou um estudo que apresenta como a supervisão humana está se tornando o principal gargalo no avanço e produtividade dos agentes de IA, especificamente seus sistemas denominados “Claude”.
De acordo com o relatório, 80% do tempo em sessões com o agente Claude é dedicado à espera por intervenção humana, evidenciando que, embora as capacidades dos agentes tenham crescido aceleradamente, a atenção dos funcionários limita sua eficiência. Isso tem transformado a função dos colaboradores, que mais atuam como gerentes de múltiplos agentes de IA do que executores diretos das tarefas, uma dinâmica descrita por um funcionário como “um exército de Claudes, cada um pedindo minha atenção”.
A empresa também destacou um salto significativo na produtividade: em março de 2026, as horas trabalhadas por agentes de IA superaram as horas de trabalho humano, alcançando em agosto uma proporção de seis horas de agentes para cada hora humana. Isso resultou em um aumento expressivo, por exemplo, no volume de código entregue pelos engenheiros, que quintuplicou nos últimos seis meses.
Além dos setores técnicos, funcionários de áreas não técnicas passaram a utilizar agentes pessoais de IA para gerenciar e-mails, agendas, listas de tarefas e resumir reuniões, reduzindo parte do trabalho operacional, mas adicionando uma nova camada de “meta-trabalho”, como acompanhar e supervisionar o que os agentes realizam. Essa atividade passou a ocupar 22% das interações, contra 10% há um ano.
Com esse cenário, ler e acompanhar tudo produzido pelas IAs consumiria cerca de metade da semana de trabalho dos funcionários, aumentando o tempo dedicado a reuniões em 20% no último ano. Mesmo levando em conta o crescimento da empresa — que já emprega mais de 3.500 pessoas —, esse aumento reflete a crescente necessidade de coordenação e tomada de decisão humana, enquanto tarefas operacionais são automatizadas.
O estudo também aponta mudanças nas movimentações internas e processos seletivos: áreas técnicas registraram queda na contratação de profissionais juniores e revalorização da autonomia e julgamento crítico dos candidatos, em detrimento do conhecimento técnico estrito.
Pesquisas externas reforçam preocupações, especialmente entre a geração Z, com 51% considerando a inteligência artificial uma ameaça à segurança profissional e cerca de 20% temendo perder o emprego para máquinas nos próximos anos.
Funcionários da Anthropic projetam que até 2030 a IA será capaz de executar 75% de suas funções, concentrando o trabalho humano na supervisão, estratégia e decisões complexas. A realidade apresentada pela Anthropic, embora singular pelo nível de investimento e integração da IA, proporciona insights valiosos sobre as transformações no ambiente corporativo conforme a tecnologia avança.
Conforme descrito por um colaborador da empresa, “Aqueles 20% do trabalho que eram estratégicos agora representam 90% da função.”