Ações do Magazine Luiza disparam 75% no mês impulsionadas por queda dos juros e revisão do Citi
O Magazine Luiza (MGLU3) intensifica sua alta no mês, chegando a 75%, após revisão positiva do banco Citi e cenário econômico favorável.
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) continuam apresentando forte valorização e atingiram uma alta de 75% no mês de outubro de 2026. Na tarde do dia 20 de outubro, os papéis registraram uma alta de 14,12%, sendo negociados a R$ 13,50, consolidando a terceira sessão consecutiva de alta após momentos de queda no pregão anterior.
Esse movimento acontece num contexto de redução dos juros futuros no Brasil, causada pela percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mercado avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderá resultar em um controle mais rigoroso das contas públicas, cenário considerado positivo para ações de varejo e consumo, mesmo sem propostas concretas de ajuste fiscal apresentadas até o momento.
Em meio a esse ambiente, o banco Citi revisou sua análise para o setor varejista brasileiro, com foco na Magazine Luiza. A instituição financeira elevou a recomendação das ações da empresa de neutra para compra, destacando o Magalu como principal beneficiária da mudança no cenário econômico, especialmente pela redução dos juros e da percepção de risco no país.
Essa revisão incluiu uma redução de aproximadamente 150 pontos-base no custo de capital utilizado para projeções, refletindo a queda nas taxas de juros de longo prazo desde o primeiro turno eleitoral. Outras empresas do setor também tiveram suas recomendações ajustadas, como Azzas 2154 (AZZA3) e Grupo Mateus (GMAT3), que receberam elevações em seus preços-alvo.
Os analistas do Citi ressaltam que o potencial da Magazine Luiza supera o impacto da queda de juros. O Magalu é visto como a maior varejista de bens duráveis do país e possui uma vantagem competitiva ao atuar tanto nas lojas físicas quanto no comércio eletrônico. A presença consolidada dentro dos marketplaces, como Mercado Livre e Shopee, amplia essa posição estratégica.
Além disso, o banco destaca que a Magazine Luiza apresenta a maior revisão positiva de lucros dentro da sua cobertura, impulsionada por custos financeiros menores, melhoras nas condições de crédito e maior demanda por bens duráveis. Isso cria um ambiente mais favorável para a companhia, em contraste com os anos anteriores.
Por outro lado, o Citi mantém cautela em relação a riscos para 2027, incluindo a renda disponível das famílias, desaceleração econômica e o ambiente de crédito seletivo. Contudo, o mercado parece focar menos nas dificuldades conjunturais atuais e mais nas perspectivas de recuperação dos resultados nos próximos anos.
Além de Magazine Luiza, o Citi elevou a recomendação para compra das ações da Azzas 2154 e passou a recomendar posição neutra para Natura, enquanto rebaixou Alpargatas para venda. Smart Fit segue como principal aposta do banco no setor, por seu crescimento estrutural e menor dependência do ciclo econômico.
Em síntese, o Magazine Luiza emerge como a empresa símbolo da nova aposta no consumo doméstico brasileiro, refletindo a alteração das expectativas para juros e risco-país no horizonte econômico.