Rumores apontam que Kim Jong-un estaria em coma na China; entenda o caso
Publicações em redes sociais repercutidas pela imprensa britânica alegam que o líder norte-coreano teria sido transferido para um hospital em Pequim. Especialistas apontam ausência de sinais de luto oficial em Pyongyang, e a GNews esclarece que os relatos carecem de confirmação independente.
Relatos não verificados que ganharam força nas redes sociais nesta segunda-feira (19) afirmam que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, estaria em coma após sofrer uma grave hemorragia cerebral. De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Sun, as especulações online sustentam que o dirigente norte-coreano teria sido levado às pressas para a China a fim de receber tratamento médico de emergência. Até o momento, a informação não foi confirmada pela gnews ou por fontes oficiais diplomáticas.
Segundo os rumores que circulam na internet, a transferência de Kim Jong-un teria ocorrido em razão da infraestrutura médica limitada em Pyongyang. As alegações apontam que o líder teria dado entrada no hospital Peking Union Medical College, localizado em Pequim, para atendimento de urgência após o suposto sangramento cerebral.
Última aparição pública e análise de especialistas
A última aparição pública registrada de Kim Jong-un ocorreu no dia 11 de outubro, quando ele visitou o Museu da Revolução de Defesa Nacional do Segundo Comitê Econômico, em Pyongyang, acompanhado de militares e de sua filha.
Apesar da rápida disseminação dos boatos sobre o estado de saúde do líder norte-coreano, analistas internacionais demonstram ceticismo quanto à veracidade das alegações. Ao canal From The Newsroom, do jornal The Sun, o analista especializado em Coreia do Norte, Benedict Rogers, avaliou que o regime de Pyongyang deve divulgar em breve provas de que Kim Jong-un está bem, ressaltando que rumores semelhantes já circularam em outras ocasiões.
Rogers destacou que, historicamente, a morte de um líder supremo no país é acompanhada por uma manifestação pública de luto rigidamente orquestrada pelo Estado, com cidadãos chorando nas ruas e apresentadores de televisão visivelmente emocionados. Segundo o especialista, nenhum sinal desse protocolo foi observado até agora.
Além disso, a rotina política do regime seguiu ativa nesta segunda-feira (19), data em que Kim Yo-jong, irmã do líder, declarou que Pyongyang avalia posicionar armamentos táticos adicionais perto da fronteira com a Coreia do Sul.
Histórico de saúde de Kim Jong-un
As especulações recorrentes sobre a condição física de Kim Jong-un apoiam-se no histórico familiar e nos hábitos de vida do governante. Tanto o seu pai, Kim Jong-il (que governou de 1994 até sua morte em 2011), quanto o seu avô, Kim Il-sung, apresentavam quadros de obesidade e tabagismo intenso.
Dados do Serviço Nacional de Inteligência (NIS) da Coreia do Sul, citados pelo periódico britânico, apontam os seguintes indicadores sobre a saúde do líder norte-coreano:
- Peso estimado: Mais de 140 quilos (310 libras) para uma estatura aproximada de 1,70 metro (5 pés e 7 polegadas).
- Risco clínico: O índice elevado de massa corporal, somado ao consumo intenso de cigarros e a uma dieta rica em carnes e frutos do mar, coloca o dirigente sob alto risco de doenças cardiovasculares.
- Precedente em 2020: Naquele ano, após Kim Jong-un ficar meses sem aparecer em público, uma onda semelhante de boatos nas redes sociais e a fala de um ex-diplomata chegaram a afirmar, sem confirmação posterior, que ele estaria em coma ou morto.
Cenários de sucessão: Kim Yo-jong e Kim Ju-ae
As dúvidas constantes sobre a saúde de Kim Jong-un mantêm em alerta os serviços de inteligência sobre o futuro comando do arsenal nuclear de Pyongyang. Caso ocorra um afastamento definitivo ou falecimento do líder, analistas trabalham com um cenário de transição dividido entre duas figuras centrais da dinastia Kim:
- Kim Yo-jong (38 anos): Irmã mais nova de Kim Jong-un, ela já exerce forte influência na cúpula do regime e foi moldada politicamente por assessores linha-dura de seu pai, Kim Jong-il. Especialistas acreditam que ela assumiria o controle imediato como líder interina.
- Kim Ju-ae (13 anos): Filha mais velha de Kim Jong-un com sua esposa, Ri Sol-ju, a adolescente educada em casa é apontada pelo serviço de inteligência sul-coreano como a provável herdeira do regime, embora ainda não tenha sido oficialmente nomeada sucessora. Sua primeira aparição pública ocorreu em novembro de 2022, durante um lançamento de míssil, seguida por eventos militares em fevereiro de 2023 e por uma visita de Estado à China no ano passado ao lado do pai. Se assumir o poder no futuro, ela será a primeira mulher a liderar a história dinástica do país.
A gnews segue monitorando os comunicados oficiais de agências internacionais e governos da região e atualizará esta reportagem caso surjam informações verificadas sobre o caso.