Panamá reabre prisão na Ilha de Coiba, reserva natural
Ilha de Coiba, no Panamá, passou de temida colônia penal a parque natural, mas agora abriga novamente presos após fuga em prisão na capital.
A Ilha de Coiba, localizada a cerca de 25 quilômetros da costa de Veraguas, no Panamá, vive um momento controverso após o governo panamenho transferir 32 prisioneiros para uma base aeronaval dentro do arquipélago. A notícia reacende a relação complexa entre a ilha, que funcionou por 85 anos como uma prisão a céu aberto, e seus atuais status de reserva natural protegida pela Unesco.
Originalmente uma temida colônia penal, Coiba registrou tortura, trabalhos forçados e um massacre brutal durante sua história, especialmente sob o regime militar que governou o Panamá entre 1968 e 1989. Após o fechamento da prisão em 2004, a área foi dedicada à proteção ambiental, reconhecida como patrimônio mundial pela Unesco devido à sua biodiversidade e ecossistemas quase intocados.
Desde junho de 2026, 29 presos foram enviados à ilha, seguidos por mais três em agosto, como resposta do presidente José Raúl Mulino a uma fuga em massa na prisão La Joyita, na capital. O anúncio oficial ressaltou que a medida visa a segurança nacional, mas não explicou detalhes sobre a permanência ou condições dos detentos na base aeronaval.
Cientistas e ambientalistas expressaram preocupação com a presença dos presos. O território de Coiba é o maior parque marinho da América Central, abrangendo cerca de 270 mil hectares, e sua legislação determina uso exclusivo para conservação, pesquisa científica e ecoturismo. A transferência gerou protestos de familiares dos detentos, que demandam acesso a seus parentes e seus advogados, conforme assegura o direito ao devido processo legal.
Coiba é ainda um laboratório natural, com ecossistemas que incluem espécies endêmicas e habitats para animais raros no Panamá continental, como a águia-de-crista e a arara-vermelha. A ilha também serve como berçário marinho para diversas espécies, importante para a pesca local.
Uma figura central dessa história é Narciso "Mali Mali" Bastidas, um ex-prisioneiro que cumpriu dez anos na colônia penal e hoje atua como guarda-parque e pesquisador. Ele destaca a contradição da ilha: uma história de sofrimento que cedeu lugar a um cenário de esperança e preservação ambiental. Mali enfatiza a importância da ilha para futuras gerações e se mostra cético quanto à possibilidade de a prisão ser reaberta em larga escala, já que a infraestrutura penal foi desativada.
A recente decisão do governo panamenho tem gerado debates sobre o equilíbrio entre segurança pública e proteção ambiental, enquanto a Ilha de Coiba permanece um símbolo de resistência, transformação e preservação.
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