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Milhares protestam na França contra custo de vida e reforma universitária

Centenas de escolas fecham e transporte público sofre com paralisações; milhares protestam contra aumento do custo de vida e medidas do governo.

A França viveu nesta quinta-feira (5) mais um grande dia de greves e protestos convocados por múltiplos sindicatos. Centenas de escolas de ensino médio foram fechadas e o transporte público sofreu graves interrupções, enquanto milhares de pessoas saíram às ruas das principais cidades do país, como Paris, Lyon e Marselha.

Segundo os sindicatos, estão previstos cerca de 260 protestos em todo o território nacional. O movimento é uma reação ao aumento do custo de vida e expressa solidariedade com os estudantes do ensino médio, que iniciaram as mobilizações em setembro e seguem em protesto devido à insatisfação com as respostas do governo, especialmente a reforma nos critérios de admissão universitária, considerada insuficiente por eles.

Segurança reforçada e confrontos

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que 70 mil policiais e gendarmes foram mobilizados para garantir a ordem, com apoio de veículos blindados, drones e helicópteros. Apesar das medidas, foram registradas tentativas de bloqueio de vias na cidade de Rennes por "indivíduos mascarados" e episódios de violência, como o lançamento de bolas de aço contra autoridades, protagonizados principalmente por jovens acompanhados de adultos.

Em Paris, as forças de segurança impediram tentativas de bloqueio de colégios e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. Além dos estudantes, participam dos protestos o movimento dos coletes amarelos, que retomou as manifestações contra o custo de vida em outubro, e agricultores ligados à Confederação Camponesa.

Contexto político e social

As manifestações, que têm gerado distúrbios em alguns casos, impactam o último período do governo do presidente Emmanuel Macron, que deixará o cargo em maio. Autoridades e líderes sindicais preveem uma mobilização significativa, comparando-a às greves massivas de 2023 contra a reforma da idade da aposentadoria.

As demandas centrais dos manifestantes incluem a revalorização do salário mínimo, aumento geral dos salários, maior justiça fiscal e garantia dos serviços públicos, diante da pressão causada pelo aumento dos preços dos combustíveis e ajustes fiscais que impactam o poder de compra.

O governo aumentou a presença policial para evitar os episódios de caos registrados na manifestação de 17 de outubro, proibindo também manifestações nos centros das cidades. No entanto, associações de juízes, advogados, sindicatos e grupos de direitos humanos criticam o que consideram uma "guinada autoritária" que comprometeria o Estado de direito, ao reprimir vozes discordantes.

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