Flávio Bolsonaro foge com ajuda em rotas pela Argentina
Senador usou três passagens na Argentina em 40 minutos, contou com ex-agente israelense e viajou a jato privado para os EUA após ordem do STF.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes à Polícia Federal. Uma investigação conjunta internacional revelou os detalhes da fuga do senador brasileiro para os Estados Unidos, mostrando que ele passou pela Argentina em uma série de movimentações inusitadas e contou com o apoio de um homem apontado como ex-oficial da inteligência israelense.
Segundo informações obtidas no sistema de imigração argentino, Flávio Bolsonaro realizou três entradas no país vizinho em um intervalo de apenas 40 minutos, utilizando rotas terrestres e aéreas para despistar as autoridades brasileiras. O ponto de partida do voo rumo aos EUA foi o aeroporto internacional de Puerto Iguazú, cidade argentina próxima a Foz do Iguaçu.
Na manhã do dia 27 de outubro, o senador saiu de Brasília em um jato particular Cessna Citation Excel vinculado ao seu advogado Willer Tomaz. Após pousar em San Fernando, região de Buenos Aires, teria seguido em outro voo privado até Puerto Iguazú, preparando-se para unir-se à família na viagem.
Enquanto isso, sua esposa e as duas filhas partiram em outro avião rumo a Cascavel, no Paraná, embarcando posteriormente em uma van identificada como da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., que cruzou a fronteira para a Argentina. Documentos mostram que duas vans da mesma empresa fizeram a travessia naquela noite, sendo que uma delas levava o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre – que já atuou na defesa de Jair Bolsonaro – e o israelense Menachem Booky Halevy.
Menachem Halevy é apontado como ex-oficial do Mossad, serviço secreto de Israel, e tem histórico de participações ao lado de autoridades como o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Ele havia entrado no Brasil poucas semanas antes e já possuía múltiplas passagens pelo país durante o ano.
O jornalista argentino Nicolás Munafó, presente no aeroporto de Puerto Iguazú, relatou a presença da comitiva levando Flávio Bolsonaro e a existência de escolta policial e veículos oficiais, evidenciando uma operação coordenada para facilitar a fuga do senador.
A principal linha de investigação aponta que Flávio aguardou na pista do aeroporto de Puerto Iguazú por horas dentro da aeronave até a chegada da família para seguir viagem aos EUA. O voo final para a Flórida foi realizado em um jato Gulfstream G400, operado por uma empresa argentina, com custo estimado em 150 mil dólares e pagamento feito via transferência de uma conta empresarial americana.
Apesar do envolvimento de um intermediário no setor de aviação, o contratante final do voo não foi identificado. A imprensa dos Estados Unidos sugeriu participação do assessor de Donald Trump, Jason Miller, que teria providenciado a viagem. No entanto, o governo americano negou envolvimento direto, afirmando que apenas autorizou a entrada no país, já que o senador possuía visto válido.
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, onde divulgou uma carta questionando o resultado das eleições presidenciais brasileiras sem apresentar provas.
O advogado do senador afirmou que não há informações oficiais ou confirmação sobre a viagem, negando que tenha havido uma fuga, enquanto a defesa nega práticas ilícitas.
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