Enfermeiro morre no Congo e equipes se protegem do Ebola
Ataques motivados por desinformação têm ameaçado equipes médicas durante surto de Ebola no Congo.
Na República Democrática do Congo, um enfermeiro veterano que atendia pacientes com Ebola no hospital geral da cidade de Bafwasende, na província de Tshopo, foi morto na última sexta-feira (23), informaram autoridades locais nesta segunda-feira (26). O profissional tentava conscientizar os moradores sobre a doença e sua prevenção quando foi atacado por jovens motivados por desinformação.
Um colega do enfermeiro sobreviveu ao ataque e está se recuperando em um hospital da região. Outros profissionais de saúde que atuam no combate ao surto permaneceram abrigados no hospital geral, sob proteção policial, temendo por sua segurança. O exército foi temporariamente mobilizado para garantir a ordem na área.
De acordo com uma autoridade de saúde local, os profissionais têm evitado retornar para suas casas devido às ameaças. Ainda segundo o relato, outro colega da área já foi vítima de violência, com sua residência incendiada por jovens locais, embora a data do ocorrido não tenha sido detalhada.
A província de Tshopo é uma das oito regiões do Congo afetadas pela rápida disseminação da cepa Bundibugyo do vírus Ebola. O instituto de saúde pública do país divulgou que, desde o início do surto em maio, foram confirmados 9.964 casos com uma taxa de mortalidade aproximada de 48,6%.
A desinformação que circula na região tem impulsionado ataques aos profissionais de saúde: antes do surto, equipes já haviam sido alvo após serem acusadas falsamente de espalhar uma doença imaginária que afetaria a saúde dos órgãos genitais masculinos. Essa hostilidade coloca em risco a resposta ao surto e a segurança dos trabalhadores da saúde.
Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola, lamentou o assassinato do enfermeiro em uma postagem no X, ressaltando a gravidade da perda tanto para o combate ao vírus quanto para os pacientes que dependem desses profissionais.



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