Coreias intensificam disputa com avanços em mísseis hipersônicos na península
Coreia do Norte e do Sul realizam testes e investem em mísseis hipersônicos, elevando tensões militares na região.
A Coreia do Norte realizou testes de dois mísseis de cruzeiro lançados de submarinos na sua costa leste nesta semana, enquanto a Coreia do Sul segue desenvolvendo tecnologia hipersônica, ampliando a disputa militar entre os países rivais na Península Coreana.
O líder norte-coreano Kim Jong Un visitou, cinco dias depois, um museu militar que exibe um míssil balístico intercontinental supostamente capaz de atingir territórios dos Estados Unidos. A visita ocorreu dias após o presidente sul-coreano Lee Jae-myung acompanhar o teste do primeiro míssil hipersônico totalmente desenvolvido pela Coreia do Sul.
Corrida por capacidades hipersônicas
Especialistas destacam que a busca por mísseis hipersônicos representa um avanço significativo na capacidade ofensiva dos dois países. Chris Green, assessor sênior para a península coreana do International Crisis Group, afirmou que essa arma tornou-se prioridade para a Coreia do Sul em resposta ao fortalecimento militar da Coreia do Norte e suas ligações com a Rússia.
O general aposentado Chun In-bum, pesquisador sênior do National Institute for Deterrence Studies, enfatizou a rapidez com que a Coreia do Norte parece ter alcançado domínio nessa tecnologia, embora a origem dessas informações continue incerta, citando espionagem tanto a países ocidentais quanto a aliados.
Impacto e desafios de defesa
A opinião dos especialistas sugere que, apesar de possivelmente anularem-se mutuamente em campo, esses avanços em mísseis hipersônicos elevam os riscos e a capacidade ofensiva da Coreia do Norte, complicando as estratégias de defesa da Coreia do Sul e do Japão, que podem precisar ampliar seus sistemas antimísseis.
Green ressaltou que o equilíbrio de poder não mudaria substancialmente no momento, devido à estratégia dissuasória do Norte baseada em seu arsenal nuclear e capacidade de intimidação. Contudo, a capacidade crescente dos sistemas ofensivos norte-coreanos é motivo de preocupação estratégica na região do Indo-Pacífico.