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Brasileiros no exterior se mobilizam para reduzir alta abstenção no segundo turno das eleições

Com abstenção recorde no primeiro turno, brasileiros fora do país organizam caronas e hospedagens para votar no segundo turno em 25 de outubro.

Mais de 60% dos brasileiros aptos a votar no exterior deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, totalizando uma abstenção recorde de 62,7%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, eleitores que residem fora do país estão se organizando para reduzir essa taxa por meio da oferta de caronas e estadias para facilitar o acesso aos locais de votação.

O número de brasileiros cadastrados para votar no exterior em 2026 chegou a 916,5 mil, o maior desde 1989, com um aumento de 31,8% em relação a 2022. Apesar disso, menos de 341,8 mil eleitores compareceram às urnas, distribuídas em 186 cidades de 134 países. A infraestrutura disponível não acompanhou esse crescimento, dificultando o exercício do voto, especialmente diante da extensa distância entre eleitores e seções eleitorais.

Um caso emblemático é o do programador Felipe Costa, que reside há oito anos em Liverpool, Inglaterra. Ele precisaria votar junto com sua esposa, que mora em Londres, mas o local de votação dele foi transferido para Edimburgo, na Escócia, a mais de 500 km de distância. Devido ao custo da viagem e da estadia, que pode chegar a cerca de 120 libras por noite, a família optou por ele abdicar do voto para que a esposa pudesse exercer seu direito. Para o segundo turno, por meio de grupos na internet, Costa conseguiu carona e hospedagem para que ambos possam votar, demonstrando a importância das redes de suporte entre eleitores no exterior.

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Iniciativas como o projeto "Voto Sem Fronteiras", criado por Tamara Menezes na Alemanha, utilizam redes sociais para conectar brasileiros que necessitam de ajuda para se deslocar até os locais de votação com aqueles que oferecem caronas ou quartos para pernoitar, preservando sempre o caráter apartidário e a legalidade da ação. Outro exemplo é a plataforma "Voto Lá Fora", que registra anúncios de caronas e hospedagem em diversos países e permite que as pessoas combinem diretamente os detalhes.

Especialistas apontam que o curto intervalo entre os turnos e os custos envolvidos para deslocamentos dificultam o comparecimento, mas essas redes de apoio têm provado ser eficazes para reduzir a abstenção em países com elevada dispersão geográfica dos brasileiros.

Além disso, a disputa acirrada entre os candidatos favorece uma maior mobilização. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) liderou com uma diferença de 1,87% sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um cenário que reforça o peso dos votos vindos do exterior. Portanto, cada voto pode ser decisivo. Conforme destaca o professor Daniel Abreu, da Universidade de Brasília (UnB), "500 mil votos a mais podem ultrapassar o número total de eleitores de estados como Roraima, que possui cerca de 401,5 mil eleitores".

Com os esforços coletivos, o comparecimento ao segundo turno pode aumentar entre os brasileiros residentes fora do país, ampliando o exercício democrático e impactando no resultado final da eleição presidencial.

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