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Internacional

Alberta realiza plebiscito sobre processo para independência e debate impacto econômico para o Canadá

A província canadense de Alberta vota sobre encaminhamento do processo para referendo de independência, tema marcado por debates econômicos significativos.

19/10/2026 às 16h19

A província canadense de Alberta realiza nesta segunda-feira (19) uma consulta popular para decidir se avança para a etapa de um referendo sobre sua independência do Canadá. Os moradores poderão votar se desejam permanecer no país ou iniciar o processo de preparação para uma futura votação direta sobre a separação.

Alberta é conhecida por sua forte economia, suportada por grandes reservas de petróleo e gás, além de um setor agrícola robusto e uma força de trabalho qualificada. A região detém as quartas maiores reservas de petróleo do mundo e seu produto de petróleo bruto representou 142 bilhões de dólares canadenses em 2025, sobretudo exportado para os Estados Unidos.

O debate sobre a independência está centrado sobretudo nas questões econômicas. Os defensores da separação alegam que Alberta contribui significativamente para o orçamento federal, somando uma contribuição líquida de 322 bilhões de dólares canadenses desde 2007, segundo o Fraser Institute. Eles argumentam que a província seria financeiramente mais vantajosa se deixasse de compartilhar sua riqueza com o governo federal e gerenciasse os recursos localmente.

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O Alberta Prosperity Project, grupo a favor da independência, estima que a província poderia economizar até 47 bilhões de dólares canadenses ao ano com a suspensão do pagamento de impostos federais. Descarta-se, entretanto, que a província teria custos adicionais da ordem de 31,6 bilhões anuais com despesas novas, como defesa e diplomacia, além da manutenção dos gastos correntes em saúde e educação, atualmente em 75 bilhões anuais.

Mesmo com estas despesas consideradas, o grupo prevê um superávit de 24 a 46 bilhões de dólares canadenses por ano, o que possibilitaria cortar impostos individuais significativamente, investir em infraestrutura ou criar um fundo soberano.

Por outro lado, críticos apontam riscos econômicos substanciais. A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, que se posiciona contra a independência, alerta que a separação pode gerar custos de transição na faixa entre 50 bilhões e 170 bilhões de dólares canadenses nos primeiros cinco anos, além de perdas em investimentos e comércio devido à instabilidade política.

Um estudo da CanadaWest Foundation aponta que a província teria ainda que assumir uma parcela significativa da dívida federal, estimada entre 258 bilhões e 333 bilhões de dólares canadenses. Essa situação poderia reduzir a renda disponível da população em média 5,8%, conforme as projeções da entidade.

O economista Trevor Tombe, da Universidade de Calgary, menciona que a economia de Alberta poderia encolher cerca de 62 bilhões de dólares canadenses anualmente após a separação, com perda estimada de 175 mil empregos, caso a situação se assemelhe ao impacto do Brexit no Reino Unido.

Além das questões econômicas, o movimento separatista tem sido impulsionado por longo sentimento de negligência por parte do governo federal em Ottawa em relação às províncias do oeste canadense. Impasses na implementação de oleodutos para escoar petróleo, diferenças políticas marcantes e descontentamentos com medidas federais como os lockdowns durante a pandemia da covid-19 também motivaram o aumento da adesão à ideia da independência.

Pesquisa recente indica que entre 20% e 25% dos moradores de Alberta apoiam a realização do referendo da independência, com maior adesão entre jovens eleitores, residentes de áreas rurais e simpatizantes conservadores.

A consulta de hoje não implica decisões diretas sobre a separação, mas poderá determinar a autorização para que nasça um plebiscito vinculante em outra data, configurando um marco importante na política contemporânea do Canadá.

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