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MEC pede que PF investigue ameaças a estudantes por política

Bullying e ameaças nas escolas motivadas por opiniões políticas ganham atenção do MEC e da PF após eleições presidenciais.

Estudantes sofrem bullying, ameaças e ofensas por divergências políticas e MEC solicita que PF investigue ameaças
Estudantes sofrem bullying, ameaças e ofensas por divergências políticas e MEC solicita que PF investigue ameaças — Foto: redes sociais

Estudantes brasileiros enfrentam bullying, intimidações e ameaças nas escolas por divergências políticas após as eleições presidenciais de 2026. Os episódios foram registrados em instituições públicas e privadas pelo país, envolvendo casos graves como exposição de imagens de menores nas redes sociais e até ameaças de violência sexual.

No Rio de Janeiro, por exemplo, fotos de crianças que participaram de uma manifestação em defesa da democracia foram retiradas de perfis de familiares e divulgadas em páginas associadas à extrema direita, algumas inclusive manipuladas digitalmente para ridicularizar os alunos.

O Ministério da Educação (MEC) comunicou ao g1 que solicitou que a Polícia Federal (PF) investigue essas ameaças contra estudantes, docentes e universidades federais. A Advocacia-Geral da União (AGU) também foi acionada para adoção de medidas jurídicas cabíveis.

Especialistas defendem respeito e diálogo nas escolas

Doutoranda em Educação na Unicamp, Danila Di Pietro ressalta que a liberdade de expressão tem limites quando origina ameaças ou ofensas. Ela destaca a necessidade de ampliar a educação política nas escolas para que crianças e adolescentes aprendam a conviver com opiniões distintas em um ambiente de respeito mútuo.

A pesquisadora enfatiza que a reprodução de discursos agressivos por estudantes reflete comportamentos dos ambientes sociais e familiares, e que evitar o debate político não é solução para o problema.

Legislação e intervenção escolar

O juiz Sérgio Luiz Ribeiro, da 4ª Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, esclarece que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege a integridade física e moral e o direito à imagem dos menores, podendo configurar crime o uso pejorativo das imagens, inclusive de cunho político.

Ao mesmo tempo, o magistrado explica que as escolas podem estabelecer normas sobre manifestações políticas, comparando-as a outras formas de manifestações de identidade, como religiosas ou esportivas, visando preservar a convivência entre alunos.

Casos registrados em diferentes estados

Além do Rio, outros episódios foram relatados em São Paulo, Paraná e Distrito Federal. Em uma escola da Barra da Tijuca, alunos que manifestaram apoio ao presidente Lula tiveram fotos divulgadas com comentários de cunho social preconceituoso e ameaças. Pais registraram boletins de ocorrência por injúria e ameaça.

Famílias buscaram orientação da Justiça e Ministério Público, diante da gravidade das ofensas e do uso das redes sociais para disseminar conteúdos ofensivos.

Educação política como ferramenta de prevenção

Para Danila Di Pietro, a educação política precisa estar presente de forma permanente no currículo escolar, ajudando estudantes a entenderem ideias e propostas sociais além das candidaturas, fomentando o pensamento crítico e o respeito às diferenças.

Ela também destaca o papel das famílias no incentivo ao diálogo e reflexão, evitando o repasse de opiniões intolerantes e fortalecendo a convivência pacífica.

O MEC reforça que as instituições de ensino devem ser espaços plurais, de tolerância e diálogo, e permanece atento para novas denúncias.

Tags: BullyingEducaçãoEscolasMECPolítica

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