Meta AI no WhatsApp apresenta diferença na geração de imagens de campanha entre Lula e Flávio Bolsonaro
Usuários relatam que a inteligência artificial da Meta no WhatsApp resiste a criar imagens de campanha do ex-presidente Lula, mas atende pedidos para Flávio Bolsonaro.
Usuários da Meta AI no WhatsApp identificaram um comportamento diferente na resposta da inteligência artificial quando solicitada a criar imagens de campanhas eleitorais dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto a ferramenta se recusou inicialmente a gerar arte para Lula, aceitou pedidos similares que envolviam Flávio Bolsonaro.
Conforme verificado pelo g1, essa discrepância ocorreu apenas na versão da Meta AI integrada ao WhatsApp. Ao pedir para criar uma imagem “vermelha e branca com Lula 13”, o assistente respondeu que “não conseguiu gerar a imagem”. No entanto, uma solicitação posterior de uma arte “azul e amarela com Flavio 22” foi atendida sem restrições.
Em tentativas subsequentes e após insistência, a IA acabou por gerar uma imagem contendo “13 apoio político”, e também atendeu ao pedido para incluir o nome de Lula na arte. Quando consultada sobre a dificuldade inicial, a Meta AI informou que um “bloqueio automático do sistema de criação de imagens” impediu a operação, mas não ofereceu detalhes adicionais.
Regras eleitorais e postura da Meta
Segundo a resolução 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é proibido que sistemas automatizados, como assistentes de inteligência artificial, emitam opiniões, indiquem preferência, recomendem voto ou promovam qualquer forma de favorecimento político-eleitoral, seja de maneira direta ou indireta. Essa norma visa garantir a neutralidade das ferramentas digitais durante o processo eleitoral.
No site da Meta AI, que tem uma operação semelhante ao ChatGPT, não foram geradas imagens para ambos os candidatos, exibindo uma postura diferente daquela observada no WhatsApp. Essa variação sugere políticas distintas entre as plataformas da Meta.
O g1 questionou a assessoria da Meta para obter esclarecimentos sobre a divergência e aguarda uma manifestação oficial da empresa.
Contexto e iniciativas do TSE
Em agosto de 2026, o TSE firmou um acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para a publicação da Cartilha de Boas Práticas de Inteligência Artificial, orientando plataformas e desenvolvedores para garantir a independência e neutralidade dos conteúdos gerados por IA durante o período eleitoral.
O acordo reforça a necessidade de que os materiais produzidos por inteligência artificial observem princípios de isenção político-partidária e estrita neutralidade institucional.