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Economia

IBGE retira menção à comercialização de drogas ilícitas em nota sobre o PIB

Instituto atualiza nota metodológica e exclui referência à estimativa da venda de entorpecentes no cálculo do Produto Interno Bruto brasileiro.

21/10/2026 às 11h28
1 de 1 Agentes do IBGE
1 de 1 Agentes do IBGE — Foto: Reprodução

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atualizou uma nota metodológica referente à revisão do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, retirando a menção à estimativa da comercialização de drogas ilícitas. A primeira versão do documento, divulgada em outubro de 2025, indicava que a nova série das Contas Nacionais traria mudanças, incluindo a estimativa da comercialização dessas substâncias, mas a versão mais recente, do dia 11 de setembro de 2026, não contém essa referência.

O tema gerou repercussão nas redes sociais em setembro, quando perfis criticaram a possibilidade de incluir a comercialização de drogas ilícitas no cálculo do PIB, associando a medida a uma suposta tentativa de inflar indicadores econômicos. O IBGE esclareceu que essa inclusão segue recomendações estatísticas internacionais e não implica legalização dessas atividades.

Em resposta a questionamentos do g1, o IBGE informou que notais metodológicas são atualizadas regularmente durante o processo de revisão das Contas Nacionais e que mudanças consideram comentários externos, cronograma e questões metodológicas ou relacionadas às bases de dados. Contudo, o instituto não detalhou o motivo específico da exclusão da referência às drogas nem confirmou se a estimativa será incorporada ao cálculo do PIB.

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A revisão das Contas Nacionais está em andamento, com expectativa de divulgação dos primeiros resultados da nova série para 2028.

Motivos para inclusão de atividades ilegais no PIB

O IBGE iniciou as discussões sobre como estimar o mercado de drogas ilícitas em 2019 e realizou uma primeira estimativa-teste em 2021, que ainda está em desenvolvimento através de estudos e testes metodológicos. No cálculo do PIB, o critério para inclusão de atividades econômicas não se baseia apenas na legalidade, mas na existência de transações voluntárias entre compradores e vendedores.

De acordo com manuais internacionais, como o System of National Accounts (SNA) da Organização das Nações Unidas e o “Handbook on the compilation of statistics on illegal economic activities in national accounts and balance of payments”, excluir completamente essas operações pode provocar distorções nas estatísticas econômicas. Por exemplo, despesas das famílias com drogas ilícitas que não fossem registradas poderiam gerar uma superestimativa de poupança familiar, comprometendo a consistência das contas econômicas.

Metodologia para estimativa do mercado de drogas

A estimação do tamanho desse mercado não começa pela quantidade de apreensões policiais. A recomendação internacional é iniciar pelo lado da demanda, buscando estimar o volume consumido por meio de pesquisas e dados disponíveis. Essa abordagem se deve à dificuldade de observar diretamente a produção e venda em mercados ilegais, pois esses atores tendem a ocultar suas atividades.

De forma simplificada, o cálculo da estimativa é baseado no consumo e no entendimento do abastecimento: quanto é produzido nacionalmente e quanto é proveniente de importações ilegais. Além disso, é necessário estimar os custos envolvidos para determinar o Valor Adicionado Bruto (VAB), que representa a contribuição efetiva dessa atividade à economia após descartar insumos e mercadorias utilizados.

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