Associação Nacional de Restaurantes aciona Justiça contra modelo de delivery da Keeta no Brasil
ANR pede suspensão da prática de compra intermediada da Keeta, que inclui restaurantes sem autorização no app.
A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) protocolou uma ação civil pública contra a plataforma de delivery Keeta, controlada pela chinesa Meituan, na Justiça de São Paulo. A ação contesta o modelo de “compra intermediada” utilizado pela empresa no Brasil, no qual restaurantes são incluídos no aplicativo sem prévia autorização.
De acordo com a ANR, a prática consiste em que, ao receber um pedido, um entregador ou comprador vai até o restaurante, adquire os produtos diretamente no balcão e os entrega ao consumidor final. A associação argumenta que essa metodologia pode prejudicar a liberdade comercial dos estabelecimentos, causar concorrência desleal e afetar negativamente a relação entre restaurantes e clientes.
Além da suspensão imediata dessa prática nos restaurantes que não autorizaram a presença no aplicativo, a ANR solicita a proibição total desse modelo de operação no país. A entidade defende ainda que a Keeta estabeleça um diálogo maior com o setor de restaurantes e cita parcerias existentes com outras plataformas, como iFood, da Prosus, e 99, da chinesa DiDi Global.
Representantes da ANR ressaltam que a compra intermediada é prejudicial tanto para consumidores, que não têm clareza sobre o processo, quanto para os restaurantes, que podem ter vendas realizadas sem seu conhecimento ou consentimento.
Em nota à Reuters, a Keeta informou não ter recebido notificação judicial sobre a ação. Sobre o modelo questionado, a empresa afirmou que a compra intermediada foi criada como uma ferramenta experimental para ampliar as opções disponíveis aos usuários do aplicativo. Segundo a plataforma, essa iniciativa responde à existência de contratos de exclusividade que limitam o acesso dos restaurantes a outras plataformas de delivery.
No cenário brasileiro, a Keeta entrou no mercado em 2025, acompanhada da retomada da 99 no setor de entregas no mesmo ano, enquanto o iFood mantém a liderança no segmento. Em setembro deste ano, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou o aprofundamento das investigações sobre a concorrência entre as plataformas de delivery no país.