Ajuste fiscal do presidente José Antonio Kast eleva desemprego e desacelera economia do Chile
O plano de austeridade fiscal do presidente José Antonio Kast provoca desemprego recorde de 9,6%, queda no PIB e crise econômica no Chile.
O Chile registra um desemprego recorde de 9,6%, o maior índice dos últimos cinco anos, em meio a uma conjuntura econômica desafiadora marcada pela retração do Produto Interno Bruto (PIB) e pelo plano de austeridade fiscal implementado pelo presidente José Antonio Kast.
Desde que Kast assumiu o governo em março de 2026, com promessa de reativar os investimentos e o emprego, o país enfrenta queda econômica, com redução do PIB de 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, o que representa a maior retração desde a pandemia de covid-19.
Impactos do aumento do custo dos combustíveis e da mineração
O aumento dos preços internacionais do petróleo impulsionado pelo conflito no Oriente Médio elevou significativamente o custo dos combustíveis no Chile, que é um país importador. O governo optou por não intervir para conter essa alta, decisão que teve reflexos na inflação, afetando principalmente famílias vulneráveis e pequenas empresas, além de diminuir a confiança dos consumidores.
O setor de mineração, vital para a economia chilena, especialmente pela extração de cobre, apresentou queda de 17,4% em agosto de 2026 — seu nível mais baixo em três décadas. Esse recuo foi provocado por interrupções operacionais, condições climáticas adversas e uma menor concentração de cobre nas rochas, fatores que também elevam os custos produtivos e criam incertezas para o setor.
Plano de austeridade fiscal e suas consequências
O governo implementou um plano rigoroso de controle das despesas públicas, com cortes de 3% no orçamento de ministérios, redução de programas considerados ineficientes e diminuição dos investimentos públicos. Como resultado, o déficit fiscal foi reduzido, mas houve diminuição da demanda interna, agravando a desaceleração econômica.
Em outubro, o presidente Kast sancionou uma reforma tributária que reduz o imposto das empresas de 27% para 23%, com o objetivo de estimular investimentos privados. O Congresso também discute a Lei Orçamentária para 2027, que prevê crescimento real dos gastos públicos de apenas 1,5%, número considerado austeramente baixo.
Perspectivas para 2027 e medidas para o emprego
Em resposta à crise, o governo anunciou um plano de emprego no valor de US$ 1,3 trilhão para fomentar a criação de mais de 100 mil postos de trabalho entre 2026 e 2027, por meio da aceleração de obras públicas e subsídios para empresas que contratarem funcionários.
Especialistas indicam que, caso a situação internacional se estabilize e as reformas sejam implementadas conforme previsto, poderá haver uma recuperação econômica já no primeiro trimestre de 2027. Entretanto, incertezas permanecem, especialmente diante do cenário de queda prolongada da mineração e alta inflação.
A população chilena vive um cenário de frustração, com o consumo das famílias crescendo lentamente e indicadores econômicos negativos, enquanto a taxa de desemprego permanece em níveis elevados, elevando o desafio para o governo reverter o quadro adverso.