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Thélyson Orélien nega uso de inteligência artificial em romance mas admite plágio passado

Escritor haitiano-canadense Thiélyson Orélien rejeita acusações de uso de IA, mas reconhece ter copiado obras anteriormente.

 ·  Atualizado em 14/10/2026 às 11h25

O escritor haitiano-canadense Thélyson Orélien rejeitou as acusações de que teria utilizado inteligência artificial (IA) para escrever seu romance best-seller publicado em 2026, "C’était Ça ou Mourir". Em comunicado divulgado pela editora francesa Grasset, o autor negou o uso de ferramentas digitais para a composição de sua obra, que já recebeu diversos prêmios literários e abordou a dura trajetória de um migrante haitiano rumo ao Canadá.

No entanto, Orélien admitiu ter cometido plágio em trabalhos anteriores, incluindo um conto de 2012 que teria copiado trechos de um livro do autor francês Louis Pauwels e um artigo de opinião de 2013 inspirado em conteúdo do jornal The Philippine Star. Ele classificou essas ações como "erros inaceitáveis" e ressaltou que a admiração por outros escritores não justifica apresentar o trabalho alheio como próprio.

As críticas específicas sobre o uso de IA foram levantadas inicialmente por uma conta anônima na rede X, que alegou que uma ferramenta de detecção indicaria que o romance seria quase inteiramente produzido por inteligência artificial. Posteriormente, o ensaísta Samuel Fitoussi assumiu ter participação nessa conta, que busca investigar obras literárias sob a perspectiva do uso ético de tecnologias digitais.

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A repercussão das alegações provocou um intenso debate no meio literário francês, envolvendo questões relacionadas a raça, mérito e originalidade. Orélien declarou que "a crítica é sempre legítima, mas as ameaças, o linchamento midiático e o assédio racista a que venho sendo submetido há semanas são insuportáveis". Ele pediu que sua obra fosse avaliada pelo seu conteúdo e autoria, destacando que o romance é fruto direto das suas experiências e das de muitos migrantes.

Como consequência das controvérsias, o livro de estreia do autor, de 37 anos, foi retirado da lista de indicados ao prêmio literário francês Goncourt. O romance, que estava previsto para ser traduzido para vários idiomas, retrata a caminhada de um migrante haitiano pela América Latina até chegar ao Canadá, explorando temas de exílio e resiliência.

Orélien reforçou a autenticidade da criação afirmando que "este romance, eu mesmo o escrevi. Ele vem das minhas feridas e das de outros migrantes. Aquela ferida do exílio, da qual nunca se cura". Sua manifestação pública ocorreu após semanas de polêmica e críticas nas redes sociais e na imprensa.

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