Jorge Davidson relata sucesso e desafios da música brasileira
Executivo conhecido por impulsionar Paralamas, Legião Urbana e Cidade Negra revela memórias sobre arte e comércio na música.
Jorge Davidson, executivo e diretor artístico que marcou a indústria fonográfica brasileira, lançou o livro Em sintonia com o sucesso – A arte de revelar talentos na música brasileira, onde narra sua trajetória profissional e os desafios do equilíbrio entre arte e comércio no mercado musical, especialmente nas décadas de 1980 a 2000.
No livro com 380 páginas, Davidson conta episódios que ajudaram a definir a carreira de nomes como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Cidade Negra, Adriana Calcanhotto, Fernanda Abreu, Gabriel O Pensador e Skank. O relato destaca seu trabalho de descoberta e apoio a artistas, assim como sua atuação para viabilizar a continuidade de projetos musicais, muitas vezes enfrentando a resistência de outras áreas das gravadoras.
Entre as histórias, destaca-se a defesa do grupo Cidade Negra, que enfrentava dificuldades após o segundo álbum. Davidson negociou com a Sony Music a permanência da banda, reformulou o som com um tom mais pop e ajudou a escolher Toni Garrido como novo vocalista, além de obter canções importantes para o repertório, o que resultou no sucesso do álbum Sobre todas as forças (1994).
Davidson também recorda sua identificação imediata com a Legião Urbana após ouvir uma fita com as composições de Renato Russo, decisão que contribuiu para a consolidação da banda na EMI. Sua carreira inclui passagens pelas gravadoras EMI, Sony Music e BMG, onde atuou por cerca de 30 anos, especialmente em cargos de direção artística.
O livro detalha a atuação do executivo na construção das carreiras de artistas e bandas importantes no cenário brasileiro, abordando as relações com profissionais de destaque na indústria, como Mariozinho Rocha (diretor musical da TV Globo) e Tutinha (presidente da rádio Jovem Pan), fundamentais para a promoção e sucesso comercial dos lançamentos.
Davidson fala ainda sobre sua intervenção na carreira do rapper Gabriel O Pensador, incentivando a criação de repertório que conduziu ao terceiro álbum, Quebra-cabeça, um dos discos mais vendidos de 1997. Também são mencionadas contribuições para a carreira de Jota Quest, Skank, Chico Science & Nação Zumbi, Lenine, Ana Carolina, Pato Fu e Wanessa Camargo.
Embora destaque a importância do talento artístico, o livro enfatiza que o sucesso na música depende igualmente da habilidade em conduzir, promover e gerir as carreiras no mercado fonográfico. Segundo Davidson, essa combinação foi a essência de sua atuação durante três décadas.
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