Pular para o conteúdo
São Paulo

Projeto Jacutinga celebra 10 anos com avanços em reintrodução da espécie na Mata Atlântica

Macho de jacutinga percorreu 30 km na Serra da Mantiqueira e retornou ao local de soltura, evidenciando o sucesso do projeto que reintroduziu 82 aves.

16/10/2026 às 09h40

O Projeto Jacutinga comemora dez anos de ações para a reintrodução da jacutinga (Pipile jacutinga) na Mata Atlântica, especificamente na região da Serra da Mantiqueira, em São Paulo. Criado em 2016 e coordenado pela organização SAVE Brasil, o programa já devolveu 82 aves à natureza e alcançou uma taxa de sobrevivência de aproximadamente 80%, um avanço significativo em relação aos primeiros anos, quando a taxa era próxima a 50%.

Recentemente, mais oito jacutingas foram liberadas em São Francisco Xavier (SP), reforçando o compromisso de ampliar a população da espécie na região. Um dos pontos que chama atenção dos pesquisadores é o retorno de um macho de jacutinga ao local de soltura após percorrer 30 quilômetros pela Mata Atlântica, um fato inédito monitorado por transmissores com GPS desde 2025.

Preparação e monitoramento tecnológico

Antes de serem soltas no habitat natural, as jacutingas passam por aproximadamente dois meses de preparação, envolvendo treinamento alimentar, reconhecimento de predadores e estímulos para desenvolver comportamentos que favorecem sua sobrevivência. Desde o uso de tecnologia com GPS, os pesquisadores acompanham os trajetos das aves, o que tem permitido melhores entendimentos sobre seus deslocamentos e hábitos na floresta.

A descoberta do deslocamento de 30 quilômetros e do retorno ao viveiro evidencia a conexão de áreas da Mata Atlântica utilizadas pelas jacutingas. Registros incluem localidades como Monte Verde (MG). Atualmente, 32 aves são monitoradas pela equipe e por meio da participação da comunidade local, que tem registrado mais de 45 observações somente no primeiro semestre de 2026.

Desafios para a formação da população autossustentável

Apesar dos resultados positivos, o Projeto Jacutinga enfrenta o desafio de garantir a reprodução das aves e a formação de uma população capaz de se sustentar na natureza sem a necessidade de novas reintroduções. Para garantir a viabilidade populacional, estima-se a necessidade de cerca de 200 indivíduos com equilíbrio entre machos e fêmeas reprodutores. Até o momento, embora tenham sido identificados ninhos, ovos férteis e filhotes, ainda não foi comprovado que qualquer jacutinga nascida na natureza tenha sobrevivido até a idade adulta.

Retorno à função ecológica

As jacutingas também desempenham papel importante como dispersoras de sementes na Mata Atlântica, auxiliando na regeneração da vegetação. Assim que liberadas, as aves já são observadas consumindo frutos nativos como o palmito-juçara. Pesquisas científicas estão em andamento para avaliar o impacto ecológico da reintrodução dessa espécie na região.

O engajamento da comunidade local tem sido um fator essencial para o acompanhamento do projeto. Segundo a SAVE Brasil, a participação dos moradores no monitoramento participativo é fundamental para o sucesso das ações e para a continuidade das pesquisas, contribuindo com registros preciosos das aves na natureza.

Com uma década de atividades, o Projeto Jacutinga destaca-se como uma iniciativa que vai além da simples soltura de aves, buscando estabelecer uma população resiliente, capaz de ocupar o seu habitat e cumprir seu papel dentro do ecossistema da Mata Atlântica.

📰 Veja também