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São Paulo

Piloto de ultraleve que caiu em rio não tinha habilitação específica, diz Cenipa

Relatório do Cenipa revela que piloto morreu ao pilotar ultraleve com certificado vencido e sem habilitação para aeronave anfíbia.

16/10/2026 às 13h33

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, em 14 de outubro de 2026, o relatório final sobre a queda de um ultraleve ocorrida em fevereiro de 2024 no Rio Tietê, em Pereira Barreto (SP), na qual o piloto Rosivaldo Mendes da Silva, de 38 anos, perdeu a vida.

Conforme o documento, Rosivaldo pilotava aeronaves aerodesportivas havia pelo menos 15 anos, porém estava com o Certificado de Piloto Desportivo (CPD) vencido desde janeiro de 2013, totalizando mais de uma década fora do prazo de validade para operar legalmente. Além disso, ele não possuía a habilitação Aerodesportiva de Asa Fixa Aquática ou Anfíbia (AAFA), exigida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para conduzir esse tipo de aeronave.

O ultraleve envolvido no acidente era uma aeronave anfíbia, e o piloto tinha iniciado o processo para obtenção da habilitação correta apenas em junho de 2023, oito meses antes da queda. A Caderneta Individual de Voo digital também não estava atualizada, registrando apenas 12 horas e 40 minutos de voo.

A investigação técnica do Cenipa encontrou diversas irregularidades na aeronave, entre elas a instalação de componentes automotivos adaptados no motor, além de um reparo inadequado na fiação elétrica com fita isolante, feitos pelo próprio piloto, que também era responsável pela manutenção da aeronave.

Outro ponto relevante apontado foi o desrespeito às normas de tráfego aéreo. O ultraleve decolou de um aeródromo privado com o objetivo de observar o pôr do sol, porém o voo extrapolou o período diurno permitido para aeronaves experimentais sem equipamentos específicos para navegação noturna, o que é proibido pela legislação.

Cerca de 10 minutos após a decolagem, a aeronave perdeu sustentação após uma inclinação súbita para a esquerda e colidiu contra a superfície do rio. Rosivaldo Mendes da Silva ficou preso à estrutura submersa e faleceu no local. Um passageiro que estava na aeronave foi resgatado com vida e encaminhado ao pronto-socorro com ferimentos graves.

O Cenipa concluiu que a combinação da inobservância das normas regulatórias e as condições irregulares da aeronave foram fatores críticos que levaram ao acidente. O órgão alertou que operar aeronaves à margem das exigências regulamentares compromete gravemente a segurança dos voos.

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