PF revela esquema sofisticado de tráfico de drogas envolvendo funcionários no aeroporto de Guarulhos
Investigação da Polícia Federal mostra o uso de áreas restritas e funcionários para movimentar drogas em Guarulhos.
Uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) revelou um esquema sofisticado de tráfico de drogas no aeroporto de Guarulhos, com a participação de funcionários e o uso de diversas áreas do terminal para facilitar o transporte ilegal.
De acordo com as apurações, as drogas percorrem um trajeto complexo dentro do aeroporto, desde o telhado até os porões das aeronaves, sem a participação direta de passageiros. A PF flagrou situações em que equipes criminosas usaram áreas restritas, vestiários sem câmeras de segurança, veículos de serviço e até a casa de máquinas para manter as substâncias disfarçadas.
Em um dos episódios marcantes, um eletricista ligado ao aeroporto foi preso após ser perseguido pela polícia, com 33 quilos de cocaína encontrados escondidos no telhado do terminal. Em outra ação, dois auxiliares de transporte entraram no aeroporto com mochilas contendo drogas e entregaram a um funcionário da limpeza, que, após ser visto carregando sacos de lixo, passou o material sem detecção na fiscalização. Posteriormente, um passageiro recebeu a carga ilícita para o transporte até o destino final.
A investigação também aponta o uso de veículos administrativos para o transporte do entorpecente, como o caso da droga escondida na caçamba de uma viatura da concessionária que administra o aeroporto. O esquema ainda envolveu cortes em cercas para a introdução clandestina de drogas, transferidas por carrinhos de bagagem até os aviões.
A Polícia Federal classificou a operação das quadrilhas como sofisticada e organizada, com corrupção de funcionários e exploração de vulnerabilidades operacionais do aeroporto. Em 2026, as apreensões de drogas no terminal somam quase cinco toneladas, reforçando a magnitude do problema.
A PF orienta os viajantes a fotografarem suas malas e etiquetas para evitar fraudes semelhantes às registradas, como no caso da passageira Gabriele Amador Silva, cuja etiqueta extraviada foi reutilizada para enviar 25 quilos de haxixe sem seu conhecimento.
As autoridades afirmam que a próxima etapa da investigação será focada em identificar os comandos da cadeia logística do tráfico internacional de drogas, ampliando a atuação para além das prisões em flagrante.