Mortes no trânsito em São Paulo aumentam e motociclistas correspondem a quase metade das vítimas em 2026
São Paulo registrou 782 mortes no trânsito nos primeiros nove meses de 2026, com motociclistas representando 48% dos óbitos.
A cidade de São Paulo registrou um aumento nas mortes no trânsito em 2026, segundo dados do sistema Infosiga do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Entre os meses de janeiro e setembro, foram contabilizadas 782 mortes, contra 770 no mesmo período de 2025, representando um crescimento de 1,5%.
Os motociclistas destacam-se entre as principais vítimas destes acidentes, sendo responsáveis por 48% das fatalidades no período, o que corresponde a mais de 370 mortes. Em contrapartida, atropelamentos causaram quase 300 mortes no mesmo intervalo.
Aumento expressivo das mortes de motociclistas
Dados indicam que o número de mortes de motociclistas na capital paulista cresceu 74% entre 2017 e 2026. Este aumento ocorre mesmo após iniciativas como a criação da Faixa Azul em 2022, que visa melhorar a circulação e segurança das motos na cidade.
Fatores que contribuem para o aumento
Especialistas em mobilidade urbana atribuem o avanço nos acidentes fatais à combinação de crescimento da frota de motocicletas, condições das vias, comportamento dos condutores e insuficiência na fiscalização.
A capital paulista conta atualmente com cerca de 1,17 milhão de motocicletas em circulação. Ana Carolina Nunes, especialista em mobilidade urbana, destaca que a vulnerabilidade dos motociclistas aumenta devido à ausência de proteção como a carcaça metálica do automóvel, aliada à alta velocidade alcançada.
Nunes também ressalta a importância da fiscalização associada às medidas de infraestrutura, como a Faixa Azul, para que estas tenham real impacto na segurança viária. Segundo ela, sem fiscalização, a velocidade e o comportamento de risco tendem a persistir e influenciar outros motociclistas.
Imprudência e fiscalização insuficiente
O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, relaciona a imprudência no trânsito à impunidade decorrente da fiscalização limitada. Ele afirma que, apesar da importância dos radares para coibir infrações, eles precisam ser eficientes na detecção de motocicletas.
Em comparação com o Rio de Janeiro, São Paulo tem menos radares para fiscalização: 879 contra 1.042, mesmo possuindo o dobro de ruas e avenidas. A quantidade de equipamentos na capital paulista variou pouco nos últimos dez anos, diminuindo entre 2017 e 2026.
Quintella defende que a fiscalização seja efetiva para reduzir infrações e, consequentemente, acidentes com vítimas.
Ações da Prefeitura de São Paulo
A Prefeitura de São Paulo informou que mantém campanhas permanentes de conscientização visando ampliar a segurança no trânsito. Sobre a Faixa Azul, destacou que a iniciativa diminuiu em 26% a gravidade dos acidentes envolvendo motociclistas.
A gestão municipal também declarou que técnicos estão avaliando a necessidade de instalação de mais radares e que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realiza fiscalizações diariamente nas ruas da cidade.