Pular para o conteúdo
São Paulo

Justiça mantém prisão preventiva de ex-secretário e marido da prefeita de Bauru por fraude em licitação

Tribunal de Justiça de São Paulo nega habeas corpus e mantém preso Renato Purini, investigado na Operação Cavalo de Troia, que apura fraudes bilionárias em concessão de lixo.

17/10/2026 às 16h32

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) negou neste sábado (17) o pedido de habeas corpus da defesa do ex-secretário municipal de Governo de Bauru (SP), Renato Purini, que segue preso preventivamente. Purini, que também é marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi detido na sexta-feira (16) durante a Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).

A operação investiga um esquema de fraudes na licitação para concessão dos serviços de gestão dos resíduos sólidos urbanos da cidade, orçada em aproximadamente R$ 5,2 bilhões e com duração de 30 anos. Segundo o Ministério Público, Purini teria usado seu cargo para beneficiar a empresa Estre Ambiental por meio da manipulação do processo licitatório.

Mensagens interceptadas judicialmente indicam que o ex-secretário recebeu vantagens financeiras ilegais, supostamente repassadas pelo advogado Marcos Libanore Caldeira, sob a justificativa de serviços jurídicos. A ex-secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Bordezan, também está implicada nas negociações, mantendo contato com membros da Estre Ambiental, inclusive seu CEO, Hamilton Libório Agle.

Leia também: Suéllen Rosim presta depoimento em comissão que investiga licitação do lixo após prisão do marido e ex-secretário

As comunicações sugerem que Purini monitorava e pressionava vereadores para garantir a aprovação do projeto na Câmara Municipal, chegando a reunir-se com parlamentares na véspera da votação e relatando a necessidade de coagir legisladores para alinhamento da pauta. A investigação aponta ainda movimentações financeiras não claras e a utilização de expressões corporativas para disfarçar os pagamentos direcionados ao ex-secretário.

Após a prisão, a prefeita Suéllen Rosim exonerou Renata Purini do cargo de secretário. Em audiência de custódia, a prisão preventiva foi mantida pelo desembargador Luiz Fernando Vaggione, que destacou a gravidade das acusações, incluindo os crimes de organização criminosa, corrupção passiva e ativa, falsidade documental e fraude em licitação.

As investigações tiveram início em março a partir de denúncias relacionadas a ameaças contra catadores de materiais recicláveis da Associação Ascam. As apurações revelaram um conjunto de irregularidades envolvendo agentes públicos, empresários e organizações criminosas que culminaram nas ações do Gaeco e da Polícia Militar. Até o momento, algumas pessoas foram presas e outras permanecem sob investigação e medidas judiciais.

📰 Veja também