Jovem relata viver em situação de rua após vício em apostas online e pedido de empréstimo para jogar
Um homem de 27 anos ficou 24 dias em situação de rua em São José do Rio Preto devido ao vício em apostas virtuais e chegou a pedir empréstimo consignado para continuar jogando.
Um jovem de 27 anos de São José do Rio Preto (SP) revelou que viveu 24 dias em situação de rua após perder todo o seu dinheiro em apostas virtuais. Segundo o relato, ele chegou a manter entre 15 e 20 aplicativos de apostas ilegais no celular durante o período crítico e, na tentativa de continuar jogando, pediu um empréstimo consignado no valor de R$ 3 mil.
Em entrevista à TV TEM, o homem revelou as dificuldades enfrentadas após não conseguir pagar o aluguel de sua residência, o que o levou a ficar desabrigado por quase um mês.
Ampliação do atendimento público e ações contra jogos ilegais
O Ministério da Saúde aumentou recentemente a capacidade de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para dependência de jogos, elevando de 600 para 100 mil consultas mensais acessíveis pelo aplicativo Meu SUS Digital. Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas de 2023 indicam que cerca de 11 milhões de brasileiros acima de 14 anos são afetados pela ludopatia, transtorno psicológico relacionado ao vício em jogos de azar.
Paralelamente, em 1º de outubro, a Polícia Civil deflagrou uma operação em São José do Rio Preto para reprimir jogos de azar clandestinos. A ação envolveu 25 policiais, fiscalização de 32 estabelecimentos, apreensão de aparelhos e cumprimento de mandado de prisão.
Medidas federais e tratamento para ludopatia
O Governo Federal proibiu as apostas de quota fixa no país em 25 de setembro de 2026, incluindo jogos online e cassinos virtuais, como o chamado “Jogo do Tigrinho”. Apesar da proibição, plataformas clandestinas continuam operando. Para apoiar pessoas com dependência, foi lançada em dezembro de 2025 a ferramenta de Autoexclusão, que permite a bloqueio voluntário do CPF em casas autorizadas de apostas; até a data desta reportagem, mais de 1 milhão de brasileiros utilizaram o recurso.
O psiquiatra Júlio César de Souza destacou que a ludopatia pode ser considerada uma doença em algumas fases e que o tratamento adequado envolve acompanhamento psicológico e psiquiátrico. No SUS, usuários passam por autotestes para identificar risco e recebem apoio de equipes multidisciplinares, como psicólogos, enfermeiros e terapeutas ocupacionais especializados.