Desabamento na Zona Leste de São Paulo completa um mês com casal responsável pela construção ainda foragido
Engenheiro e empresária ligados à construtora New Home seguem sendo procurados pela polícia após tragédia que matou seis pessoas.
O desabamento de um edifício em construção na Zona Leste de São Paulo, ocorrido há um mês, ainda repercute com a busca pelo casal responsável pela obra que resultou na morte de seis pessoas. Cristiano Salgado Vivaqua, engenheiro responsável técnico pela execução da obra, e Isis de Freitas Rodrigues Brandão, representante legal da construtora New Home, permanecem foragidos das autoridades desde o dia do acidente.
Ambos são alvos de duas investigações policiais: uma para apurar as causas do desabamento na Penha e outra para apurar denúncias de golpes contra clientes que adquiriram imóveis das construtoras New Home e Hastiforme e não receberam as chaves.
O pai de Cristiano, Ronaldo dos Santos Vivaqua, sócio oculto de uma das empresas responsáveis, está preso e teve sua detenção renovada. Ele é o único dos três envolvidos que está detido, enquanto Cristiano e Isis permanecem foragidos. A defesa do casal afirma que eles pretendem se apresentar voluntariamente e negam o status de foragidos, alegando questões de segurança.
O prédio desabado apresentava histórico de irregularidades, incluindo fiscalizações, multas que chegaram a R$ 119 mil e uma ação judicial para demolição da construção irregular. Em 2022, foi apresentado um novo projeto para o terreno, com alvará concedido em 2023 que exigia a demolição integral da estrutura antiga, condição que a investigação suspeita não foi cumprida. Inspeções municipais e denúncias apontam falhas na fiscalização e na segurança da obra.
Desde o desabamento, a Prefeitura de São Paulo determinou a paralisação de 29 empreendimentos relacionados às construtoras New Home e Hastiforme, majoritariamente localizados na Zona Leste, para garantir a segurança e resguardar o interesse público durante as investigações.
Clientes das construtoras afirmam prejuízos superiores a R$ 4 milhões com imóveis não entregues e promessas não cumpridas. Boletins de ocorrência por estelionato foram registrados, e processos judiciais estão em curso para reaver valores pagos. Muitas obras foram embargadas por falta de alvará ou por riscos estruturais que afetaram até escolas vizinhas.
A tragédia na Rua Tequici teve também repercussão na esfera administrativa, com a servidora municipal Viviane Rodrigues de Palma, responsável por autorizar a continuidade das obras, afastada por 120 dias e possivelmente indiciada.
As autoridades continuam trabalhando na investigação das causas do desabamento e na responsabilização dos envolvidos, enquanto famílias das vítimas lutam por justiça e reparação financeira.