Corregedoria ouve delegados e carcereiro sobre supostas regalias na cadeia de Milton Leite
Investigação em Mogi das Cruzes apura suspeita de favorecimento ao ex-presidente da Câmara de São Paulo; defesa nega irregularidades.
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo iniciou nesta terça-feira (17) as oitivas com autoridades responsáveis pela custódia na cadeia pública de Mogi das Cruzes, onde está preso o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite. Foram chamados para prestar esclarecimentos a delegada seccional de Mogi das Cruzes, o delegado titular do 1º Distrito Policial da cidade e um dos carcereiros da unidade.
O procedimento ocorre como desdobramento da operação realizada pelo Ministério Público (MP) no dia 16 de outubro, que investiga supostas irregularidades e favorecimentos dentro da unidade prisional. Entre as suspeitas estão benefícios irregulares a presos e facilitação por parte de um carcereiro, que teve apreendidos valores em reais e dólares durante a ação.
Milton Leite está detido temporariamente após decisão judicial sob suspeita de integrar uma organização criminosa e manter relações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), acusações que ele nega. A Corregedoria busca apurar detalhes do funcionamento da cadeia e aferir a regularidade dos procedimentos dos agentes responsáveis pela custódia dos presos.
Até o momento, foram identificadas falhas preliminares em procedimentos internos da cadeia, com análise aprofundada a partir dos documentos apreendidos pela Promotoria, que serão compartilhados nos próximos dias. As oitivas programadas devem durar entre três e quatro horas.
Em nota, a defesa de Milton Leite negou que o ex-parlamentar tenha recebido qualquer regalia ou tratamento diferenciado na unidade prisional. A defesa afirmou ainda que não teve acesso à investigação do MP e se colocou à disposição para colaborar com as apurações.