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Santa Catarina

Pesquisa em Santa Catarina investiga impacto das redes de pesca abandonadas na fauna marinha

Estudo acompanha redes de pesca perdidas em praias do Sul de SC para compreender riscos à vida marinha, incluindo o boto-de-Lahille.

Por 14/10/2026 às 04h16  ·  Atualizado em 14/10/2026 às 04h19

Uma pesquisa realizada no Sul de Santa Catarina busca aprofundar o conhecimento sobre os efeitos das redes de pesca abandonadas na fauna marinha local. O estudo é conduzido como Trabalho de Conclusão de Curso pela estudante Nicole Pereira de Moura, do curso de ciências biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), em parceria com o projeto Botos de Araranguá, que monitora a espécie boto-de-Lahille (Tursiops gephyreus), considerada criticamente ameaçada de extinção na região.

Conhecida como “pesca fantasma”, a presença de redes, linhas e outros equipamentos descartados ou perdidos no mar representa uma ameaça direta, pois continuam capturando e matando animais mesmo sem a presença dos pescadores. Nicole Moura observou a problemática ao notar a grande quantidade de redes abandonadas durante suas caminhadas em praia, despertando a motivação para o estudo.

Metodologia e área de atuação

Desde abril, a pesquisadora e seu orientador, o professor Rodrigo Machado, percorrem mensalmente um trecho litorâneo de aproximadamente 1 quilômetro entre a foz do Rio Mampituba e a barra do Rio Araranguá. Durante essa rota, são contabilizados e analisados os fragmentos de redes de pesca encontrados, incluindo registro das características das redes e se algum animal ficou preso nelas.

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Até o momento, foram identificados mais de 100 fragmentos de redes abandonadas nas praias do Sul catarinense. A preocupação principal é com o boto-de-Lahille, cuja população na região voltou a ser observada após duas décadas de ausência, mas que permanece vulnerável devido ao risco de emalhamento em redes remanescentes.

Importância para conservação e medidas futuras

A pesquisa é realizada em colaboração com o projeto Botos de Araranguá, também ligado à Unesc, que monitora a atividade dos botos na área, especialmente nos meses mais quentes quando o animal aparece em maior número por cidades do Sul do estado e na divisa com o Rio Grande do Sul.

Os pesquisadores destacam que, embora o potencial exato de captura das redes abandonadas seja difícil de mensurar diretamente, a divulgação dos resultados associados a dados previamente documentados sobre o emalhamento da espécie pode fundamentar políticas públicas focadas na limpeza dos ambientes marinhos, prevenção do descarte irregular de equipamentos de pesca e ações de conscientização ambiental entre pescadores e comunidade local.

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