Secretaria abre investigação após prefeita de Belford Roxo visitar deputado preso no Complexo de Gericinó
A prefeita Mariana Malta visitou o deputado Márcio Canella na cadeia após se identificar como advogada, o que motivou investigação da Secretaria de Polícia Penal.
A Secretaria Estadual de Polícia Penal (Seppen) deu início a uma investigação após a prefeita de Belford Roxo, Mariana Malta, visitar o deputado estadual eleito Márcio Canella no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no domingo, 18 de outubro de 2026. Canella está preso desde o dia 15 de outubro em decorrência da Operação Unha e Carne 8, e está proibido de receber visitas.
Segundo a Seppen, Mariana Malta apresentou-se como advogada para conseguir entrar na unidade prisional, condição que autorizaria a visita. No entanto, a secretaria informou que, ao verificar a identidade da visitante como prefeita, comunicou o fato à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A Seppen também esclareceu que instaurou um procedimento investigativo para apurar possíveis irregularidades cometidas por agentes penitenciários no episódio.
Márcio Canella foi preso em função da Operação Unha e Carne 8, deflagrada pela Polícia Federal, que apura suspeitas de participação dele em uma organização criminosa armada especializada em lavagem de dinheiro por meio de uma rede de 96 postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A PF o aponta como um dos articuladores do grupo criminoso. Nas eleições do ano de 2026, Canella foi o segundo candidato mais votado para deputado estadual no Rio de Janeiro.
Mariana Malta possui histórico político ligado a Canella: trabalhou como assessora dele por sete anos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e foi eleita vice-prefeita de Belford Roxo em 2024 na chapa liderada por ele para o mandato 2025-2028. Em abril de 2026, assumiu a prefeitura após Canella deixar o cargo para concorrer ao Senado pelo União Brasil, mas ele desistiu da candidatura e concorreu à Alerj após ser alvo da Operação Unha e Carne.
O G1 consultou os advogados Rafael Alves de Oliveira e Sheila Lustoza, responsáveis pela defesa de Canella, para verificar se Mariana Malta está habilitada formalmente como uma das advogadas no processo, mas não obteve resposta até a última atualização. Também foram procurados a Prefeitura de Belford Roxo, o gabinete da prefeita e o partido União Brasil, que não se manifestaram.
O STF foi questionado sobre a autorização da visita, mas não retornou o contato.