MPPE registra 418 mortes em intervenções policiais em Pernambuco nos últimos quatro anos, com 70% das vítimas pretas ou pardas
Levantamento do Ministério Público de Pernambuco aponta 418 mortes em ações policiais entre 2022 e 2026, destacando impacto racial.
Entre janeiro de 2022 e junho de 2026, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) registrou 418 mortes em intervenções policiais no estado. Os dados fazem parte do Painel de Intervenção Policial, divulgado recentemente, que abrange 337 ocorrências com envolvimento de 663 policiais.
O ano de 2023 destacou-se como o que registrou maior número de vítimas, totalizando 125 casos. Até junho de 2026, já foram contabilizadas mais de 35 mortes, todas de pessoas pardas ou pretas.
Dados raciais e distribuição das vítimas
Segundo o levantamento do MPPE, 267 vítimas eram pardas e 29 pretas, somando 296 pessoas, o que corresponde a 70% do total. Também foram registradas 17 vítimas brancas, uma indígena e 47 casos sem identificação de cor ou raça.
Encaminhamentos e investigações
Das 337 ocorrências registradas no período, 221 foram arquivadas, 70 continuam sob investigação e em 46 casos houve apresentação de denúncia. O Ministério Público acompanha as investigações para verificar a legalidade da atuação policial em cada caso.
O promotor de Justiça Francisco Ortêncio de Carvalho ressaltou que o monitoramento dos dados permite observar variações no contexto da letalidade policial e ampliar o acesso da sociedade às informações.
Revisão de protocolos e atuação conjunta
Nara Santa Cruz, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pernambuco, destacou a importância da atuação conjunta entre instituições e a necessidade de revisão dos protocolos de atuação da Polícia Militar para reduzir a violência policial.
A advogada enfatizou também a necessidade de que órgãos como o Ministério Público e instituições que defendem direitos humanos participem ativamente do debate sobre segurança pública e violência policial.
Desafios das comunidades periféricas
O Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), entidade que atua na defesa dos direitos humanos, acompanha casos de famílias impactadas pela letalidade policial, ressaltando que o aumento da violência urbana e do policiamento nas periferias influencia diretamente as estatísticas de letalidade, especialmente entre pessoas negras.