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Paraíba

Super El Niño de 2026 se assemelha a evento climático que causou quase 10 mil mortes na Paraíba há 150 anos

Fenômeno climático de grandes proporções no século XIX provocou seca severa e epidemias na Paraíba, com alta mortalidade e migrações internas.

19/10/2026 às 10h03  ·  Atualizado em 19/10/2026 às 10h04

A Paraíba se prepara para enfrentar um Super El Niño em 2026, fenômeno climático que pode ser o mais forte já registrado na história, conforme análise de especialistas em meteorologia. Esse evento é comparado a um acontecimento semelhante ocorrido entre 1877 e 1879, que causou uma das maiores tragédias climáticas da região Nordeste, especialmente na Paraíba, onde quase 10 mil pessoas morreram em decorrência da seca severa e epidemias associadas.

O Super El Niño do século XIX provocou uma grande estiagem que atravessou três anos consecutivos, trazendo consigo escassez de alimentos e água, além de um aumento significativo de doenças como varíola, muitas vezes registradas genericamente como “febres” nos documentos da época. Estimativas indicam que cerca de 500 mil pessoas morreram no Nordeste brasileiro devido a essa crise.

Impactos profundos na Paraíba e migrações internas

A seca intensificou movimentos migratórios em massa dentro do estado, especialmente do Sertão e Alto Sertão — regiões como Patos, Sousa, Piancó, Pombal e Catolé —, para o litoral e a capital João Pessoa. A população da capital quase dobrou, o que gerou um colapso na infraestrutura de saúde e serviços, agravo que elevou a mortalidade local. Só em João Pessoa, foram registradas 9.318 mortes no ano de 1878, equivalente a mais de um terço da população inflada pela migração.

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O crescimento desordenado e a precariedade dos serviços sanitários favoreceu a disseminação de epidemias e reforçou a estigmatização dos migrantes, que passaram a ser associados às doenças.

Cenário atual e preparativos para 2026

Especialistas como o meteorologista Ranyere Silva Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande, afirmam que o evento climático previsto para o final de 2026 tem potencial para ser tão intenso quanto o de 1877, classificado como “muito forte”. A expectativa é de que os efeitos mais severos se concentrem no Sertão paraibano, região mais vulnerável à seca em comparação ao litoral.

Estudos recentes, como o levantamento da Universidade de Chicago via Climate Impact Lab, indicam a possibilidade de até 420 mortes relacionadas ao Super El Niño no estado entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, com crescimento progressivo dos impactos no período.

Em resposta, o governo da Paraíba criou em setembro de 2026 um grupo especial chamado GC El Niño/PB para planejar e coordenar ações de preparo e resposta, visando mitigar os efeitos do fenômeno na saúde pública e segurança hídrica. O Ministério Público estadual também se envolveu na articulação institucional, propondo ações integradas e políticas permanentes de prevenção, dada a situação de emergência decretada em mais de 100 municípios.

Além disso, o Ministério da Saúde do Brasil anunciou planos para ampliar a rede de atendimento no Nordeste, reforçando a capacidade de resposta a secas e suas consequências durante o evento climático esperado para o último trimestre de 2026.

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