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Mato Grosso

Médico é indiciado em Mato Grosso por cirurgias plásticas com sequelas e falsidade ideológica

Lucas Danillo Moreira de Jesus foi investigado por lesões graves e omissão em prontuário após cirurgias em Barra do Garças.

21/10/2026 às 14h35  ·  Atualizado em 21/10/2026 às 14h36
1 de 2 O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica.
1 de 2 O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. — Foto: Reprodução

O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado pela Polícia Civil de Mato Grosso por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica em decorrência de cirurgias plásticas realizadas em quatro pacientes em 2023, na cidade de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. A conclusão da investigação foi divulgada em 20 de outubro de 2026 e o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.

Laudos periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontaram sequelas permanentes em duas das pacientes, incluindo deformidades, cicatrizes com comprometimento estético e alterações permanentes nas mamas e mamilos. Em outros dois casos, os peritos não confirmaram lesões corporais. Uma das mulheres relatou necrose das aréolas e dificuldades na cicatrização após duas cirurgias realizadas em 2023 e 2024.

Além das complicações cirúrgicas, a Polícia Civil constatou indícios de falsidade ideológica relacionada ao prontuário de uma paciente, ao verificar que uma prótese mamária rompida durante o procedimento não foi registrada no relatório cirúrgico. Esta constatação considerou o depoimento da paciente, a prótese examinada e a documentação médica, embora a perícia não tenha estabelecido vínculo entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas.

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Durante o interrogatório, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia, e atribuiu as complicações às particularidades do organismo e ao processo de cicatrização. Também declarou que prestou acompanhamento pós-operatório e se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores, se necessários.

A defesa, representada pelo advogado Paulo Lacerda, afirmou que os problemas relatados poderiam decorrer de dificuldades normais de cicatrização, como a formação de queloides, e questionou a imparcialidade da investigação em razão de um dos delegados ser marido de uma das pacientes. A defesa indicou intenção de apresentar uma representação à Corregedoria contra o delegado e defende a necessidade de ouvir testemunhas e realizar perícias médicas especializadas antes de conclusões definitivas.

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) informou ter instaurado de imediato uma sindicância interna para apurar os fatos e confirmar a identidade do profissional, garantindo o devido processo legal e o direito à ampla defesa. O órgão atua de forma independente, mas se colocou à disposição das autoridades para colaborar com o processo investigativo.

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