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Mato Grosso

Canetas emagrecedoras passam a ser principal alvo de roubos em farmácias de Mato Grosso, aponta sindicato

Sindicato do comércio farmacêutico de MT informa que medicamentos de alto valor, especialmente canetas emagrecedoras, substituíram o dinheiro em espécie como foco dos roubos.

Por 14/10/2026 às 10h58  ·  Atualizado em 14/10/2026 às 10h59

Em Mato Grosso, os roubos a farmácias revelam uma mudança de perfil recente conforme indicam dados do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do estado (Sincofarma-MT). Atualmente, as canetas emagrecedoras são o principal alvo dos criminosos, superando o dinheiro em espécie que antes era o foco dominante nas ocorrências.

De acordo com o presidente do Sincofarma-MT, José Antônio Parolin, a popularização de meios digitais de pagamento, como o Pix, diminuiu a quantidade de dinheiro disponível nos caixas. Antes de 2020, os valores subtraídos pelos criminosos ficavam geralmente entre R$ 200 e R$ 500, envolvendo principalmente o dinheiro em espécie. A partir de 2023, contudo, observou-se uma mudança no perfil dos produtos furtados, com ênfase em medicamentos de alto valor, em especial as canetas emagrecedoras, que podem custar até R$ 2 mil por caixa com quatro unidades.

Em episódios recentes na capital Cuiabá, uma mesma farmácia foi vítima de três furtos em menos de um mês, com prejuízo envolvendo medicamentos e equipamentos eletrônicos. Ainda na região, quatro pessoas foram presas como suspeitas em um roubo de 30 caixas de canetas emagrecedoras.

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Além das canetas emagrecedoras, outros medicamentos controlados e caros como zolpidem, desvenlafaxina e lisdexanfetamina também passaram a integrar com frequência as listas dos produtos levados. O valor elevado destas substâncias e a possibilidade de revenda ilegal, especialmente pela internet ou em estabelecimentos clandestinos, são apontados como motivações para o interesse dos grupos criminosos.

Ainda que não haja dados conclusivos que associem diretamente a queda do uso de dinheiro em espécie com o aumento dos furtos de medicamentos, avaliação do professor de economia Maurício Munhoz indica que a relação merece cautela e análise mais aprofundada, reconhecendo que outros fatores, como o uso crescente de cartões de crédito, também impactam os meios de pagamento e, consequentemente, o comportamento criminoso.

O Sincofarma-MT destaca que parte do aumento nos registros de furtos e roubos desde 2023 se deve a uma maior formalização das ocorrências junto às autoridades, necessária para acionamento de seguradoras diante dos prejuízos altos. Anteriormente, pequenos furtos costumavam não ser registrados, dificultando o acompanhamento efetivo das ocorrências.

Para tentar mitigar os danos, o sindicato recomenda que as farmácias mantenham estoques reduzidos destes medicamentos de alto valor, limitados a volumes suficientes para um ou dois dias de venda, conforme os prazos de reposição. Também são indicadas medidas de segurança reforçadas, como cofres, cadeados especiais e geladeiras protegidas, apesar de os criminosos muitas vezes usarem arrombamentos e ameaças para acessar os produtos.

Em situações de abordagem, a orientação prioritária é à preservação da segurança dos funcionários, evitando resistências. Após as ocorrências, os responsáveis devem registrar boletim de ocorrência e notificar as seguradoras para cobertura quando disponível.

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