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Mato Grosso do Sul

Justiça de MS mantém lei que restringe participação de atletas trans em competições esportivas de Campo Grande

TJMS nega suspensão de lei municipal que define sexo biológico para atletas, com multas para entidades esportivas na capital sul-mato-grossense.

21/10/2026 às 18h44

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) decidiu nesta terça-feira (20) negar o pedido de suspensão da lei municipal de Campo Grande que estabelece o sexo biológico como critério para participação de atletas em competições esportivas profissionais no município. A medida mantém a proibição da competição para pessoas trans em equipes que correspondem à sua identidade de gênero.

A ação que contestava a constitucionalidade da legislação foi proposta pela Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (Attms). No entanto, o relator do processo, desembargador Vilson Bertelli, avaliou que não há demonstração evidente de inconstitucionalidade nem risco de dano que justificasse a suspensão imediata da lei.

Detentora da relatoria, Bertelli também ressaltou que, embora exista legislação federal relativa a esportes, isso não impede que municípios criem normas complementares desde que respeitem os limites constitucionais. O TJMS entendeu que não foram apresentados indícios suficientes para afirmar que a lei municipal viola normas gerais federais sobre o tema.

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A decisão, tomada por maioria do Órgão Especial do Tribunal, se refere apenas ao indeferimento do pedido de medida cautelar para suspender a norma durante o trâmite do processo. A discussão sobre a constitucionalidade da lei pode continuar no julgamento principal.

Promulgada em outubro de 2025, após a derrubada do veto da prefeita Adriane Lopes (PP) pelos vereadores da capital, a lei prevê multas de até R$ 48 mil para entidades esportivas que não cumprirem as regras e sanções para atletas que ocultarem a condição trans, incluindo a possibilidade de banimento do esporte municipal.

A legislação tem como justificativa oficial assegurar igualdade de condições nas competições esportivas. Os autores citam exemplos internacionais, como o caso da nadadora trans Lia Thomas, e mencionam restrições adotadas por organizações esportivas internacionais, como a Federação Internacional de Natação (FINA).

Um episódio recente envolvendo uma atleta trans em um campeonato amador na capital, no qual o time adversário recusou-se a jogar após saber da participação da jogadora trans, ocorreu duas semanas antes da votação da lei. O time que se recusou a jogar foi acusado de transfobia, e o tema gerou debates na cidade.

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