Pesquisa maranhense é reconhecida com prêmio nacional em inovação para o SUS
Estudo propõe plataforma computacional para acelerar testes moleculares de arboviroses como dengue e zika.
Uma pesquisa desenvolvida por Francisca Elaine Dutra, estudante maranhense, conquistou o Prêmio Inovação em Engenharia Biomédica para o Sistema Único de Saúde (SUS), concedido em Brasília. O trabalho apresenta uma plataforma computacional inovadora para acelerar o desenvolvimento de testes moleculares para vigilância epidemiológica de arboviroses, como dengue e zika.
A plataforma permitida pela tecnologia brasileira é capaz de projetar biossensores de RNA, otimizando a identificação do material genético de agentes infecciosos. O estudo indica que o sistema tem uma discriminação termodinâmica mais que três vezes superior na diferenciação entre o alvo verdadeiro e controlos, já validado computacionalmente para os vírus da dengue e da zika.
Aplicação e Impacto no SUS
A proposta visa a aplicação da tecnologia em vigilância epidemiológica ambiental, analisando amostras de água e esgoto para triagem de múltiplos patógenos de forma ágil, sem a necessidade de desenvolvimento integral para cada agente. Por ser uma solução totalmente digital e produzida no Brasil, a plataforma contribui para diminuir a dependência de tecnologias estrangeiras no campo do diagnóstico molecular, facilitando o acesso em laboratórios públicos com recursos limitados.
Segundo Francisca Elaine Dutra, o desenvolvimento tradicional de testes moleculares depende de processos experimentais por tentativa e erro, o que pode ser custoso e demorado, afetando a rapidez da resposta do SUS, especialmente em regiões com infraestrutura laboratorial reduzida.
Para superar essa limitação, a plataforma, desenvolvida pela G.E.A.F. Biotecnologia e Inovação em RNA, utiliza a sequência genética do patógeno para projetar biossensores de RNA com maior especificidade e estabilidade, minimizando etapas experimentais.
Apoio e Financiamento
O projeto recebeu financiamento do edital Deep Tech Catalyst da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema). Essa iniciativa destina R$ 4,55 milhões para apoiar até 15 propostas nas áreas de agricultura digital, biotecnologia e bioeconomia, energias renováveis e sustentabilidade, saúde e tecnologias sociais.
A cerimônia de entrega do prêmio está programada para dezembro em Brasília, promovida pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) com apoio dos ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O reconhecimento destaca iniciativas com potencial de impacto positivo na saúde pública brasileira e no SUS.