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Espírito Santo

Animais resgatados de maus-tratos e caça são reintegrados à Mata Atlântica no Espírito Santo

Cerca de 4 mil animais de espécies diversas, incluindo aves e macacos-prego, foram reintroduzidos em área preservada no Sul do ES após tratamento e recuperação.

18/10/2026 às 10h04  ·  Atualizado em 18/10/2026 às 10h05

Desde 2011, aproximadamente 4 mil animais silvestres, entre aves, jabutis, ouriços-cacheiros e macacos-prego, removidos de situações de maus-tratos, caça ilegal e cativeiro no Espírito Santo, foram reintroduzidos em uma área preservada da Mata Atlântica, localizada no Sul do estado. O local exato da soltura é mantido em segredo para proteger a fauna e evitar a atuação de caçadores.

O processo de recuperação desses animais envolve uma série de etapas conduzidas por equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e do Centro de Reintrodução de Animais Silvestres (Cereias). Inicialmente, no Cetas, situado em Aracruz, os animais recebem tratamento para doenças e são submetidos a profilaxias, visto que muitos chegam em condições precárias, com gaiolas sujas, falta de comida e água.

Posteriormente, no Cereias, também em Aracruz, os animais passam por uma fase de reabilitação comportamental e alimentar, essencial para garantir sua aptidão para viver livremente na natureza. Este período pode variar de meses a anos, dependendo das necessidades de cada indivíduo. Por exemplo, a recuperação de papagaios-da-espécie chauá, que necessitam de renovação completa das penas, pode durar até dois anos.

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A readaptação social é outro aspecto fundamental. Animais que viveram isolados em cativeiro, como papagaios, são reintegrados a grupos para que reaprendam comportamentos naturais, incluindo a comunicação e a formação de pares reprodutivos, assegurando a continuidade genética da espécie no habitat natural.

Um caso emblemático é o de um ouriço-cacheiro que, ao chegar recém-nascido, foi alimentado na seringa até atingir a idade adulta e, em seguida, reintroduzido em casal com outro indivíduo resgatado. A devolução dos animais ao seu ambiente original contribui para o equilíbrio do ecossistema local, como acontece com os jabutis, que auxiliam na dispersão de sementes e no surgimento de novas árvores.

Representantes das equipes envolvidas destacam que a captura e manutenção ilegais de animais selvagens não só prejudicam as populações animais, mas também impactam negativamente o meio ambiente e a saúde humana, evidenciando a interdependência entre os ecossistemas e o bem-estar das pessoas.

A soltura dos animais simboliza o sucesso dos esforços de conservação e recuperação, reforçando a importância da continuidade do trabalho para garantir a preservação das espécies e a sustentabilidade do habitat na Mata Atlântica capixaba.

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