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Temperatura do Ceará sobe 1,8°C e erosão atinge 47% das praias

A temperatura no Ceará subiu 1,8 °C em 63 anos, provocando erosão em quase metade das praias do estado.

A temperatura média do Ceará subiu 1,8 °C nos últimos 63 anos, provocando erosão em 47% das praias do estado. O dado foi apresentado pelo professor Marcelo Soares, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), em entrevista ao videocast Fique por Dentro, do g1.

Segundo o pesquisador, o aumento da temperatura está ligado ao agravamento do efeito estufa causado principalmente pela emissão de gases poluentes de indústrias, veículos e queimadas. Apesar das mudanças climáticas serem fenômenos naturais, a ação humana acelerou o processo nas últimas décadas.

O limite de aquecimento considerado seguro pelo Acordo de Paris é de 1,5 °C, já ultrapassado pelo planeta. No Ceará, essa elevação tem consequências como o avanço da erosão em praias importantes, incluindo trechos de Icapuí, Icaraí, Jericoacoara, Praia de Iracema e Beira-Mar em Fortaleza. A erosão ameaça infraestrutura urbana, barracas, casas e prejudica o turismo local.

Super El Niño e ondas de calor

O professor alertou para a chance de 83% de ocorrência de um episódio denominado Super El Niño, que corresponde a um aquecimento intenso das águas do Oceano Pacífico entre novembro e janeiro. Esse fenômeno tende a intensificar ondas de calor e agravar períodos de seca no Ceará.

Historicamente, o El Niño esteve associado a secas severas no Nordeste, como a Seca dos Três Setes (1877-1879) e o episódio de 2015-2016, que deixou reservatórios do estado com apenas 7% da capacidade. Atualmente, os açudes cearenses têm cerca de 52% do volume armazenado, mas a preocupação permanece.

Riscos à saúde e impactos sociais

As ondas de calor elevam o risco de insolação, desidratação e problemas cardiovasculares, afetando especialmente idosos e crianças. O calor intenso também causa ilhas de calor urbanas, áreas onde a temperatura pode ser até 4 °C mais alta devido à concentração de asfalto e concreto e à escassez de vegetação.

No Ceará, com 90% do território em região semiárida e suscetível à desertificação, as populações do interior, como o Sertão Central e os Inhamuns, são as mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento.

Além disso, a salinização de poços causada pelo avanço do mar compromete fontes de água doce, incluindo abastecimento residencial.

Medidas para combater os impactos

Para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, o professor Marcelo Soares destaca duas frentes: mitigação e adaptação. Mitigar envolve reduzir as emissões de gases do efeito estufa, por meio de ações como o combate ao desmatamento, redução de queimadas e uso de energia renovável.

A adaptação compreende a preparação das cidades para os impactos já em curso, como ampliar áreas verdes, construir sistemas que absorvam a água da chuva, substituir parte do asfalto por pisos permeáveis e instalar reservatórios para captação de água pluvial.

Também são importantes a melhoria da infraestrutura de drenagem e ações para reduzir as ilhas de calor urbanas.

População vulnerável e recomendações

As populações socioeconomicamente vulneráveis enfrentam maior exposição aos impactos climáticos, por morarem em áreas de risco e não terem acesso a recursos como ar-condicionado. Esse cenário reflete desigualdade social e ambiental, fenômeno conhecido como racismo ambiental.

O professor recomenda que a população siga alertas da Defesa Civil, mantenha hidratação, evite exposição ao sol em horários críticos e economize água na estiagem. A colaboração conjunta dos governos e da sociedade civil é imprescindível para reduzir os impactos climáticos.

Tags: CearáSaúde PúblicaSuper El Niñoclimaerosão

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