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MP denuncia cinco homens pelo assassinato da vereadora Cely

O Ministério Público do Ceará aponta que o crime foi retaliação em meio a um conflito político e familiar na região do Sertão dos Inhamuns.

O Ministério Público do Ceará denunciou cinco homens pelo assassinato da vereadora Cely Arrais, ocorrido em 21 de fevereiro de 2017, na zona rural de Aiuaba, no interior do estado. Segundo a denúncia, o crime foi cometido em retaliação à morte de um homem pertencente a grupo político rival.

A vereadora, também conhecida como Jucely Alves Arrais, foi morta a tiros dentro de sua residência em uma fazenda na localidade do distrito de Bom Nome, conforme revelou relatório do órgão ministerial. A investigação indicou que a disputa política e familiar na região teve início em 2001, quando o pai de Cely, Júlio Luis Arrais, foi assassinado na cidade de Pio IX, no Piauí, município limítrofe à região dos Inhamuns.

Um dos suspeitos de participar do homicídio de Júlio Luis Arrais, identificado como Marcos Antônio Solano Feitosa — conhecido como "Marcos Baladeira" —, foi assassinado em 22 de outubro de 2016, em Campo Sales, município vizinho a Aiuaba. Familiares de Marcos suspeitaram que a morte dele fora encomendada por um grupo político ao qual Cely pertencia, o que teria intensificado as ameaças e a escalada da violência.

O Ministério Público detalhou que outros membros da família da vereadora foram vítimas da sequência de conflitos violentos ocorridos entre 2016 e 2017. Entre as mortes relacionadas estão as do cunhado, irmão e marido de Cely, que foram assassinados a tiros em diferentes localidades da região.

Cinco homens foram formalmente denunciados pelo Ministério Público pelas mortes de Cely Arrais, com as acusações envolvendo homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de associação criminosa armada. São eles: Antônio Eldo Nogueira de Sousa ("Eldo do Felipe"), Francisco Elton da Silva Sousa ("Teta do Felipe"), Antônio Neves Pereira ("Sr. Tonho"), Francisco André Gonçalves Feitosa e Antônio de Araújo Chaves Neto ("Tonho da Ronda").

Para embasar a denúncia, o MP utilizou imagens de câmeras de videomonitoramento da região e informações extraídas de aparelhos celulares apreendidos com os suspeitos. O crime ocorre em um contexto marcado por conflitos familiares, políticos e econômicos no Sertão dos Inhamuns, de acordo com o órgão.

Além disso, o Ministério Público registrou outros homicídios no mesmo período ligados a disputas políticas locais, como o assassinato do vereador José Valmir de Sousa em 2016, cunhado de Cely, e mortes de outros integrantes da comunidade, reforçando o ambiente de violência na região.

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