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MP cobra preservação de 8 imóveis históricos em Farias Brito

Prefeitura de Farias Brito mapeia imóveis históricos e encaminha legislação para proteção do patrimônio arquitetônico local.

O Ministério Público do Ceará emitiu uma recomendação formal para que o município de Farias Brito desenvolva ações voltadas à preservação do seu patrimônio histórico e arquitetônico, especialmente imóveis antigos e construções simbólicas localizadas na cidade e na zona rural.

A promotora Camila Dutra destacou que alguns bens históricos, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição – erguida em 1868 – e casarões preservados no Centro da cidade, ainda não contam com proteção legal formal, nem projeto de salvaguarda ou tombamento. O descumprimento da recomendação pode acarretar medidas judiciais ou extrajudiciais contra o município.

Em resposta, o procurador-geral de Farias Brito, Jerônimo Oliveira, informou que a prefeitura realizou o mapeamento de oito imóveis com potencial para serem considerados patrimônio arquitetônico e está elaborando legislação para proteger essas construções. De acordo com ele, a gestão municipal também avalia a criação de uma estrutura administrativa para regulamentar licenciamentos e fiscalização de obras, buscando evitar alterações que descaracterizem o patrimônio cultural local.

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Marcos históricos e arquitetura preservada

O centro de Farias Brito reúne edificações que mostram diferentes períodos e estilos arquitetônicos, como o casarão do Coronel José Rodrigues, que mantém cores e características coloniais do século XIX, e o casarão de 1948 que atualmente abriga o Núcleo Interdisciplinar para o Selo UNICEF.

Na área rural, destaca-se a Vivenda Sinhá, construída em 1934, cuidadosamente preservada por seus proprietários, apresentando elementos típicos das casas-grandes rurais da época, como portas entalhadas, colunas sustentando alpendres e telhado cerâmico de quatro águas. Outro casarão de 1927, localizado no Sítio Lagoa de Dentro, é mantido pela família do ex-delegado José Liberalino de Menezes e funciona como um memorial da história local.

Contexto histórico de Farias Brito

Com cerca de 18 mil habitantes, o município, originalmente chamado Quixará, na região do Cariri cearense, teve seu nome alterado em 1953 para homenagear o filósofo Raimundo de Farias Brito. A economia local passou pela agropecuária e, posteriormente, pela produção de calcário, dando origem à alcunha "Capital da Cal".

O historiador Cícero Duarte de Menezes enfatiza a importância da preservação dessas construções não apenas como memória arquitetônica, mas como parte da identidade cultural e histórica do município. A recomendação do Ministério Público reforça o dever constitucional do município de garantir a proteção do patrimônio cultural, cultural essa que traz riqueza para a história viva da região.

Tags: Arquitetura ColonialCearáFarias BritoMinistério Públicopatrimônio histórico

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