Funcionários da Amazon no Ceará denunciam pagamento abaixo do
Sindicato questiona vínculo trabalhista da Amazon e ação judicial segue sem acordo após audiência recente.
Funcionários do setor de atendimento ao cliente da Amazon no Ceará enfrentam disputa na Justiça do Trabalho em razão do pagamento de salários inferiores ao mínimo nacional. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing do Estado do Ceará (Sintratel-CE), cerca de 500 colaboradores contratados diretamente pela empresa estariam recebendo menos que o salário mínimo, apesar de cumprirem uma jornada semanal de 36 horas, semelhante à carga horária de operadores de telemarketing.
O principal ponto de controvérsia judicial é o enquadramento dos trabalhadores, que têm sido registrados como comerciários e não como operadores de telemarketing. Segundo a Amazon, esta classificação se justifica por a atividade-fim da empresa ser o comércio varejista. Por isso, o cálculo salarial é proporcional à jornada reduzida em relação à carga horária dos comerciários, resultando em valores inferiores ao salário mínimo convencional.
Por outro lado, o Sintratel destaca que a rotina diária dos funcionários é equivalente à de operadores de telemarketing, regulados pela Norma Reguladora Nº 17 do Ministério do Trabalho, que prevê jornada máxima de 36 horas semanais e salário mínimo integral. O sindicato afirma ainda que em outros estados, como São Paulo, trabalhadores com função semelhante recebem mais do que o piso nacional.
Em audiência realizada em 18 de outubro de 2026 na 18ª Vara do Trabalho de Fortaleza, não houve acordo entre as partes. Enquanto a ação coletiva busca obrigar a Amazon a pagar imediatamente o salário mínimo e retroativos, a empresa mantém que cumpre a legislação vigente e não comenta detalhes em razão do processo estar em curso.
Casos individuais de trabalhadores que pleitearam rescisão indireta por conta da discrepância salarial já foram julgados favoravelmente pela Justiça do Trabalho em alguns episódios. Entre os relatos, está o de Ana Ingrid dos Santos, contratada em 2024 como assistente de atendimento ao cliente, cujo salário inferior ao mínimo inviabilizou o recebimento de auxílio-doença previdenciário quando precisou se afastar por motivos de saúde.
O Sintratel requer ainda que a Amazon negocie acordos coletivos com o sindicato da categoria correta, a de telemarketing, em vez do sindicato dos comerciários, reforçando o entendimento da função desempenhada e dos direitos correlatos.
Na nota oficial, a Amazon reafirma cumprir todas as obrigações legais brasileiras e aplica as mesmas regras a todos seus colaboradores de atendimento ao cliente no país, esclarecendo que o caso se encontra sob análise judicial.
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