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Manaus atende 99% com água e visa 90% em esgoto até 2033

Capital amazonense já atende 99% da população com água tratada e planeja atingir 90% de esgotamento sanitário até 2033.

Manaus, capital do Amazonas, tem uma longa história no desenvolvimento do saneamento básico, marcada por desafios únicos devido à geografia da cidade, que é cercada por rios e igarapés. Em 2026, a concessionária Águas de Manaus alcançou a marca de atender 99% da população com água tratada, enquanto o acesso ao tratamento de esgoto está em 42%, com a meta ambiciosa de chegar a 90% até 2033.

Cobertura de esgotamento sanitário em ManausPercentual da população atendida com coleta e tratamento de esgoto entre 2018 e 2026.
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O histórico da cidade mostra que o abastecimento de água começou a ser estruturado no final do século XIX, com a escolha da região da Cachoeira Grande para captação em 1889. Naquela época, os igarapés faziam parte do cotidiano dos moradores, sendo usados para atividades como banho, lavagem de roupas e lazer. A expansão urbana exigiu, ao longo do século XX, a criação de redes de coleta de esgoto, embora com dificuldades para conectar todos os imóveis, mantendo o despejo de resíduos em fossas e cursos d’água.

O crescimento acelerado de Manaus tornou necessário que as soluções de saneamento fossem adaptadas às condições locais, especialmente nas áreas mais vulneráveis, como becos e palafitas. A concessionária Águas de Manaus desenvolveu métodos específicos para a instalação de tubulações nestas regiões, considerando as variações do nível dos rios e as estruturas das casas sobre palafitas. A instalação de hidrômetros em locais elevados é exemplo dessas adaptações.

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O programa Trata Bem Manaus, iniciado em 2024, tem sido fundamental para expandir a cobertura do esgotamento sanitário em áreas de difícil acesso, com obras manuais que minimizam impactos às moradias. Um caso emblemático é o Beco do Nonato, no bairro Cachoeirinha, onde a rede de esgoto subterrânea foi instalada de forma quase manual e o tratamento dos resíduos contribuiu para a recuperação da qualidade da água nos igarapés locais.

A gestão também investiu em tecnologias avançadas para reduzir perdas de água, que passaram de 75% em 2018 para 45% em 2026. Instrumentos como análise por satélite e centros de operações integradas permitem monitoramento constante e identificação rápida de vazamentos. Além disso, a empresa instalou bombas móveis e aprofundou estruturas de captação para garantir abastecimento mesmo em períodos de seca severa.

Na esfera social, a Águas de Manaus implementou iniciativas como a Tarifa Manauara e a tarifa social, que tornam o serviço mais acessível e aproximam os clientes por meio de cerca de mil lideranças comunitárias. Para muitas famílias, a conta de água passou a ser um comprovante oficial de endereço, ampliando a dignidade e o reconhecimento social dos moradores.

O desafio maior permanece na ampliação do tratamento de esgoto, essencial para reduzir o lançamento de resíduos nos igarapés e rios, e elemento-chave para a recuperação ambiental da cidade. O planejamento da concessionária prevê a adoção de sistemas descentralizados, com várias pequenas estações de tratamento que se adequem às condições topográficas e urbanísticas de Manaus.

Segundo a Águas de Manaus, o legado esperado é a transformação da relação entre população e hidrografia local, permitindo que os cursos d’água voltem a ser parte valorizada do ambiente urbano e da vida dos manauaras.

Tags: ManausSaneamentoesgotamento sanitárioigarapésÁguas de Manaus

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