Brasil ocupa 53º lugar em ranking global de inovação, com destaque para São Paulo como hub regional
Brasil é o 53º colocado entre 139 países no Índice Global de Inovação 2026; São Paulo figura entre os 50 principais clusters mundiais.
O Brasil ocupa o 53º lugar no Índice Global de Inovação 2026, uma posição abaixo da anterior, mas que representa avanço em relação a 2020, quando estava na 62ª posição, conforme dados divulgados pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, sigla em inglês).
Dentre as 139 nações avaliadas, o país destaca-se por sua base científica e empreendedorismo, tendo São Paulo como o principal cluster de inovação nacional, posicionado em 49º lugar globalmente. Este cluster paulista registrou, nos últimos cinco anos, 955 pedidos internacionais de patentes (PCT), publicou 51.016 artigos científicos e realizou 1.595 negócios de capital de risco.
Empresas brasileiras também foram protagonistas nos pedidos de patentes no período, com 59 registros pela Braskem, 19 pela Oxiteno e 16 pela Natura. Aproximadamente 50% dos pedidos de patentes de São Paulo são fruto de colaborações com inventores fora do cluster, com destaque para o Rio de Janeiro, Nova York e Filadélfia.
Além disso, 80% dos artigos científicos produzidos em São Paulo envolvem cooperação com outras instituições, principalmente localizadas no Rio de Janeiro, Nova York e região de Boston–Cambridge.
No contexto latino-americano, o Chile lidera a região no ranking, ocupando a 51ª posição, seguido pelo Brasil (53º), México (65º), Uruguai (66º) e Costa Rica (70º). A WIPO aponta que, apesar do potencial na região, ainda há limitações na conexão entre pesquisa, empreendedorismo e acesso ao mercado, o que dificulta a transformação de ideias em tecnologias exportáveis e produtivas.
Desafios para o Brasil
O relatório destaca que o Brasil conta com um grande mercado interno (8º lugar do ranking mundial) e possui pontos fortes em ciência e atividade empresarial, evidenciados pela posição elevada em marcas registradas, pagamentos de propriedade intelectual e capital de risco avançado.
Entretanto, a produtividade do trabalho do país permanece baixa (94ª posição), assim como a P&D financiada pelo setor privado (36º) e o ambiente de negócios, que figura na 129ª colocação. Outro desafio citado é a disponibilidade de capital humano qualificado, pois o indicador de graduados em ciências e engenharia coloca o Brasil na 101ª posição, com concentração em São Paulo e poucos outros polos.
Pesquisa, P&D e startups em deep science
O índice avalia o desempenho em inovação sob dois eixos: input (investimentos na base educacional, científica e industrial) e output (resultados como patentes, unicórnios e exportações tecnológicas). No eixo de base, o Brasil ocupa a 66ª posição, três degraus abaixo, enquanto nos resultados mantém o 50º lugar, a mesma posição do ano anterior.
Destaques positivos incluem o crescimento de publicações científicas (+3,6% entre 2024 e 2025) e investimentos em pesquisa e desenvolvimento (+3,4%). No entanto, houve queda nos acordos de venture capital (-2,3%) e no número de patentes internacionais (-2,2%).
O relatório ainda chama atenção para o empreendedorismo em deep science, que envolve startups baseadas em avanços científicos e tecnológicos de longo prazo. As principais startups deste segmento no Brasil são New Wave (soluções sustentáveis para mineração), Solubio (agritech) e MOMBAK (remoção de carbono). Além disso, Hilab e Warp Drive Bio estão entre as cinco startups com maior número de famílias de patentes simples na América Latina e Caribe.
Entre as spinouts de destaque estão Biotimize (biofarmacêutica), TissueLabs (biomateriais) e Symbiomics (soluções de microbioma para a agricultura).
A WIPO reforça que São Paulo continua um hub fundamental para pesquisa, tecnologia e startups na América Latina, refletindo o papel de liderança do Brasil como polo regional de inovação.