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Investidores buscam proteção na Bolsa diante de cenário incerto para o 2º turno das eleições

Com empate nas pesquisas e risco de correção, especialistas indicam cinco ações defensivas para o investidor proteger carteira.

20/10/2026 às 14h12

A cinco dias do segundo turno das eleições, investidores enfrentam o desafio de proteger suas carteiras diante da volatilidade do mercado. Embora o Ibovespa tenha registrado alta e renovado recorde próximo dos 208 mil pontos depois do primeiro turno, pesquisas recentes apontam empate técnico entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa mudança aumenta o risco de correção no índice.

Especialistas consultados pelo Infomoney destacam que o mercado já incorpora uma grande probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, com plataformas de previsão atribuindo cerca de 80% de chances ao candidato. Caso o resultado confirme essa expectativa, a valorização estaria precificada, mas uma vitória do adversário poderia gerar forte e rápida queda na Bolsa.

Analistas recomendam cautela e sugerem rebalancear as carteiras para uma alocação mais conservadora, sem desmontá-las completamente. A orientação é evitar apostar no resultado eleitoral, pois este está fora do controle do investidor.

Leia também: Ibovespa registra alta impulsionada por avanços nas pesquisas eleitorais e desempenho em Nova York

Ações defensivas indicadas para proteção

Para se proteger, as exportadoras são apontadas como alternativas favoráveis, já que a receita em dólar valorizaria-se com eventual desvalorização do real, enquanto custos permanecem em moeda local. No entanto, a proteção depende do setor, pois certas commodities, como o minério de ferro, apresentaram queda relevante.

Outro grupo recomendado engloba empresas de serviços públicos (utilities), que possuem receitas estáveis, baixa sensibilidade ao ciclo econômico e pagam bons dividendos, apesar de serem influenciadas por variações dos juros de longo prazo.

Entre as cinco ações defensivas mais mencionadas pelos especialistas estão:

  • Azul (AZUL4): com receita majoritária em dólar e exposição global, especialmente na aviação internacional, apresenta perfil menos dependente do cenário doméstico e baixa suscetibilidade a tarifas americanas.
  • Vale (VALE3): principal exportadora brasileira, porém afetada pela recente queda do minério de ferro, o que exige cautela quanto ao impacto da commodity.
  • Banco do Brasil (BBAS3): destacado pela receita em dólar e carteira de pedidos robusta, conferindo proteção cambial e menor dependência de commodities.
  • Telefônica Brasil (VIVT3): empresa com receita recorrente, baixa sensibilidade ao ciclo econômico e apoio dos dividendos, que oferecem estabilidade aos investidores.
  • Copel (CPLE6): utility que combina receita estável e potencial para valorização, embora tenha volatilidade diante de alterações na curva de juros.

É importante salientar que os setores que tiveram maior valorização recentemente, como locadoras, educação e varejo, são mais vulneráveis a um cenário de juros mais altos e possíveis mudanças políticas desfavoráveis, e portanto apresentam risco elevado.

Os especialistas recomendam que o investidor mantenha a diversificação, rebalanceie a carteira conforme a alocação planejada e acompanhe a evolução da política fiscal para o próximo ano, assim como eventos globais, como as eleições de meio de mandato nos EUA e decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro.

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