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Bolsonarismo deve se transformar após eleição, diz cientista político Jorge Chaloub

Professor da UFRJ aponta maior influência do PL e diz que família Bolsonaro terá menos controle exclusivo após pleito.

20/10/2026 às 14h11

O bolsonarismo brasileiro deve passar por uma reorganização significativa após o segundo turno da eleição presidencial de 2026, independentemente de quem vença, aponta o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao programa Mapa de Risco, do InfoMoney.

Segundo Chaloub, diferente da estrutura partidária de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito com o PSL funcionando como uma plataforma eleitoral, atualmente o movimento está fortemente associado ao Partido Liberal (PL), que conta com uma bancada expressiva no Congresso e possui estrutura própria com recursos financeiros e direção nacional com interesses específicos.

“O PL não é só do bolsonarismo. O PL é do bolsonarismo e do Valdemar Costa Neto”, destacou o professor, enfatizando que o presidente nacional do PL tem influência crescente sobre decisões do grupo, como distribuição de recursos e definição de candidaturas.

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Essa situação implica que, diferente do passado, onde a família Bolsonaro tinha maior liberdade para indicar nomes políticos, agora as escolhas passam por negociações com dirigentes e parlamentares do partido. Chaloub avalia que essa mudança pode organizar disputas internas e minimizar conflitos, mas também apresenta dificuldades para a ascensão rápida de novos líderes, exemplificando com a trajetória política de Tarcísio de Freitas.

Além das transformações organizacionais, Chaloub identifica mudanças ideológicas e estratégicas no bolsonarismo. Enquanto o discurso de 2018 destacava o nacionalismo, a campanha de 2026 evidencia uma maior proximidade com lideranças internacionais da direita, como Donald Trump, nos Estados Unidos, e Javier Milei, na Argentina. Esta orientação pode influenciar a política externa de um eventual governo Flávio Bolsonaro, especialmente nas relações com empresas de tecnologia e governos ideologicamente alinhados.

Em relação à economia, Chaloub observa que, ao contrário de Jair Bolsonaro, que tinha Paulo Guedes como referência econômica destacada durante sua campanha, Flávio Bolsonaro não conta com uma figura equivalente de protagonismo econômico.

O professor ressalta que a reorganização do bolsonarismo não depende exclusivamente dos resultados eleitorais. A força das lideranças será definida em parte pela eleição, mas o PL já se posiciona como protagonista nas negociações acerca do futuro da direita no país.

Na fase final da campanha, o programa Mapa de Risco do InfoMoney tem realizado edições especiais ao vivo, proporcionando análises atualizadas sobre o ambiente político.

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